O Banco de Compensações Internacionais (BIS), uma espécie de banco central dos bancos centrais, concluiu em maio de 2026 o Projeto Agorá, uma iniciativa de dois anos que testou pagamentos tokenizados com sete bancos centrais e mais de 40 instituições financeiras. Segundo reportagem da Cointelegraph publicada em 28 de maio de 2026, o protótipo desenvolvido conseguiu liquidar transações de atacado (wholesale, ou seja, pagamentos de grande volume entre instituições financeiras) em segundos. Para contextualizar, pagamentos internacionais tradicionais costumam levar de um a cinco dias úteis para serem concluídos, dependendo dos países envolvidos e dos intermediários necessários.
A tokenização, neste caso, funciona como uma versão digital de dinheiro que circula em uma rede blockchain (um registro público e compartilhado que qualquer participante autorizado pode auditar, como um cartório aberto a todos os bancos envolvidos). O projeto demonstrou que é possível liquidar pagamentos cross-border (entre países) de forma quase instantânea, eliminando a necessidade de múltiplos intermediários e reduzindo custos operacionais. Em termos de mercado brasileiro, isso se assemelha ao que o Banco Central busca com o Drex, a moeda digital brasileira em desenvolvimento, que também pretende usar tecnologia blockchain para acelerar transações e reduzir custos.
O Projeto Agorá envolveu bancos centrais de economias desenvolvidas e emergentes, embora a fonte não especifique quais países participaram. A conclusão bem-sucedida do teste reforça a tendência global de bancos centrais explorarem moedas digitais e sistemas de pagamento baseados em blockchain. Para o investidor brasileiro, isso sinaliza que a infraestrutura financeira global está se preparando para uma mudança estrutural: pagamentos internacionais mais rápidos e baratos podem, no futuro, facilitar remessas, comércio exterior e até mesmo a compra de ativos digitais por investidores institucionais.
Historicamente, projetos-piloto do BIS têm influenciado políticas de bancos centrais ao redor do mundo, incluindo o Banco Central do Brasil. A validação técnica de pagamentos tokenizados em escala real pode acelerar a adoção de tecnologias similares no Brasil, especialmente no contexto do Drex e da integração do sistema financeiro nacional com redes internacionais de pagamento. Para contextualizar, o Drex está previsto para entrar em fase de testes mais amplos em 2026, e iniciativas como o Projeto Agorá servem de referência técnica para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira.
📊 Número do Dia
40+ , instituições financeiras participaram do Projeto Agorá do BIS, testando pagamentos tokenizados que liquidam em segundos
Por que isso importa
A conclusão bem-sucedida do Projeto Agorá demonstra que a tecnologia blockchain pode resolver um dos maiores gargalos do sistema financeiro global: a lentidão e o custo de pagamentos internacionais. Para o Brasil, isso tem impacto direto no desenvolvimento do Drex e na competitividade do sistema financeiro nacional. Se pagamentos cross-border passarem a ser liquidados em segundos, empresas brasileiras que dependem de comércio exterior e investidores que operam em mercados globais terão custos menores e maior agilidade. A validação técnica por sete bancos centrais e mais de 40 instituições também reduz o risco percebido de adoção dessas tecnologias, abrindo caminho para implementações em larga escala nos próximos anos.












