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Wall Street escolhe Stellar para tokenizar ações e títulos

DTCC escolhe blockchain Stellar para tokenizar ações, ETFs e títulos do Tesouro dos EUA até 2027. Entenda o impacto para o mercado brasileiro.
A DTCC, empresa que processa trilhões de dólares em transações financeiras nos Estados Unidos, anunciou planos para conectar ativos tokenizados (versões digitais de ações, ETFs e títulos do Tesouro) à blockchain Stellar até a primeira metade de 2027, segundo reportou a CoinDesk em 27 de maio de 2026.

A DTCC (Depository Trust & Clearing Corporation), gigante da infraestrutura financeira americana, escolheu a blockchain Stellar para hospedar versões digitais de ações, ETFs e títulos do Tesouro dos EUA. Conforme reportou a CoinDesk, o projeto prevê que esses ativos tokenizados (ou seja, representações digitais de ativos tradicionais registradas em blockchain, funcionando como certificados digitais verificáveis por qualquer pessoa) estejam operacionais até a primeira metade de 2027. Para contextualizar a escala: a DTCC processa diariamente transações que somam trilhões de dólares, atuando como uma espécie de cartório e câmara de compensação para praticamente todas as negociações de ações e títulos nos Estados Unidos.

A escolha da Stellar, uma blockchain pública conhecida por transações rápidas e de baixo custo, marca um passo significativo na aproximação de Wall Street com a tecnologia cripto. Diferentemente de blockchains privadas (redes fechadas controladas por um grupo restrito), a Stellar é uma rede aberta, onde qualquer pessoa pode auditar transações. Historicamente, grandes instituições financeiras preferiam redes privadas por questões de controle e privacidade. A decisão da DTCC sinaliza maior confiança na maturidade das blockchains públicas para operações de grande escala.

Para o investidor brasileiro, o movimento tem relevância indireta mas importante. A tokenização de ativos tradicionais em blockchains públicas pode, no médio prazo, facilitar o acesso de brasileiros a mercados internacionais, reduzindo custos e intermediários. A título de comparação: hoje, investir em ações americanas pela B3 (via BDRs, recibos de ações estrangeiras) envolve múltiplas camadas de custódia e taxas. Com ativos tokenizados em blockchain pública, a liquidação (transferência efetiva de propriedade) poderia ocorrer em minutos, não em dias, e com custos menores. Ainda não há previsão de quando essa infraestrutura chegará ao Brasil, mas o movimento da DTCC estabelece um precedente que pode influenciar a CVM e o Banco Central na regulação de ativos digitais locais, incluindo o Drex (o real digital em desenvolvimento).

Segundo conhecimento de mercado, a Stellar já é utilizada por outras instituições financeiras para pagamentos transfronteiriços, mas a entrada da DTCC representa o maior projeto de tokenização de ativos tradicionais na rede até o momento. O prazo de 2027 indica que Wall Street está acelerando a adoção de blockchain, mas ainda com cautela regulatória e técnica.

📊 Número do Dia

2027 , Ano previsto para a DTCC conectar ações, ETFs e títulos do Tesouro americano à blockchain Stellar, marcando a maior iniciativa de tokenização de ativos tradicionais em blockchain pública até o momento.

Por que isso importa

A decisão da DTCC de usar uma blockchain pública para tokenizar ativos tradicionais valida a tecnologia cripto para operações de trilhões de dólares e pode acelerar a adoção global de infraestrutura blockchain no mercado financeiro. Para o Brasil, o precedente pode influenciar a regulação de ativos digitais pela CVM e Banco Central, além de abrir caminho para que investidores brasileiros acessem mercados internacionais com menos intermediários e custos menores no futuro.


Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/05/27/dtcc-plans-to-bring-tokenized-assets-to-stellar-in-latest-wall-street-blockchain-push

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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