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Pump.fun abandona Solana e passa a usar USDC em lançamentos

Pump.fun muda modelo de liquidez para USDC, elevando custo inicial de tokens em 67% e valor mínimo de mercado para US$ 4 mil. Entenda o impacto.
A Pump.fun, uma das principais plataformas de lançamento de tokens na blockchain Solana, anunciou em 21 de maio de 2025 que passará a usar pools de liquidez (reservas de moedas disponíveis para troca) pareados com USDC em vez de SOL. A mudança, segundo reportagem da The Defiant, eleva o custo de lançamento de novos tokens em 67% e aumenta o valor mínimo de mercado inicial para US$ 4 mil.

A Pump.fun, plataforma que permite a qualquer pessoa criar e lançar tokens digitais na rede Solana, mudou a forma como esses ativos são negociados logo após o lançamento. Segundo a The Defiant, a partir de agora os criadores de tokens devem usar USDC (uma stablecoin, ou seja, uma moeda digital que mantém valor fixo em dólar) em vez de SOL (a criptomoeda nativa da rede Solana) para formar os pools de liquidez. Pools de liquidez funcionam como reservas de moedas que permitem a compradores e vendedores trocarem tokens sem precisar de um intermediário, como um banco ou corretora tradicional.

A mudança eleva o valor de mercado inicial mínimo de cada token lançado para US$ 4 mil, ante valores menores no modelo anterior. Além disso, o custo para adquirir a oferta inicial de tokens subiu 67%, o que significa que quem quiser comprar tokens logo no lançamento precisará desembolsar mais dinheiro. A título de comparação, é como se o preço mínimo para participar de uma oferta pública inicial (IPO) de ações na bolsa brasileira tivesse aumentado de R$ 1 mil para R$ 1.670 de uma hora para outra. A medida busca melhorar a distribuição dos tokens entre investidores e reduzir a concentração nas mãos de poucos compradores logo no início, segundo a The Defiant.

A escolha do USDC em vez do SOL tem implicações práticas importantes. Como o USDC mantém valor estável em dólar (ao contrário do SOL, que oscila como qualquer criptomoeda), os criadores de tokens e investidores iniciais ficam menos expostos à volatilidade do mercado cripto durante o lançamento. Para contextualizar, o SOL pode variar 5% ou mais em um único dia, enquanto o USDC mantém paridade com o dólar. Isso torna o processo de lançamento mais previsível em termos de custo e valor de mercado inicial, embora também aumente a barreira de entrada para projetos menores.

Para o investidor brasileiro, a mudança tem impacto indireto. Plataformas como a Pump.fun são populares entre criadores de tokens especulativos e projetos experimentais, muitos dos quais acabam sendo negociados em exchanges internacionais acessíveis a brasileiros. O aumento do custo inicial pode reduzir o número de lançamentos de baixa qualidade (conhecidos no jargão do mercado como “shitcoins”), mas também pode afastar projetos legítimos com orçamento limitado. Segundo conhecimento de mercado, a Solana é uma das blockchains mais usadas para lançamentos de tokens devido a suas taxas baixas e velocidade de transação, competindo diretamente com Ethereum nesse nicho.

📊 Número do Dia

67% , Aumento no custo para adquirir a oferta inicial de tokens na Pump.fun após a mudança para pools de liquidez em USDC.

Por que isso importa

A mudança sinaliza uma tentativa de profissionalizar o mercado de lançamento de tokens, elevando a barreira de entrada e potencialmente reduzindo a proliferação de projetos de baixa qualidade. Para o ecossistema cripto brasileiro, isso pode significar menos ruído especulativo e mais foco em projetos com fundamentos sólidos, embora também limite o acesso de empreendedores com capital inicial reduzido. A escolha de stablecoins como base de liquidez reflete uma tendência mais ampla de busca por estabilidade em mercados historicamente voláteis.


Fonte original: https://thedefiant.io/news/defi/pump-fun-launches-usdc-paired-liquidity-pools-gi72da

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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