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Bitwise vê Hyperliquid como ativo subvalorizado apesar de alta de 77%

Bitwise classifica token HYPE como subvalorizado apesar de alta de 77% em 2025. Entenda a tese e o impacto para o investidor brasileiro.
A Bitwise, uma das maiores gestoras de ativos digitais dos Estados Unidos, afirmou que o token HYPE, da plataforma Hyperliquid, é o criptoativo “mais mal precificado” do mercado, mesmo após valorização de 77% em 2025. A análise foi divulgada por Matt Hougan, diretor de investimentos da gestora, em 20 de maio de 2025.

A Bitwise, gestora americana com cerca de US$ 10 bilhões sob administração em ativos digitais, classificou o token HYPE como o criptoativo “mais mal precificado” do mercado atual, segundo reportagem da Cointelegraph publicada em 20 de maio de 2025. A afirmação chama atenção porque o ativo já subiu 77% desde o início do ano, desempenho que superaria a maioria das ações na B3 (a título de comparação, o Ibovespa acumula alta de cerca de 5% no mesmo período, conforme dados públicos da bolsa brasileira).

Matt Hougan, diretor de investimentos (CIO) da Bitwise, argumenta que o preço do HYPE não reflete o fato de a Hyperliquid estar se transformando em um “super-app global”. A plataforma combina negociação de derivativos (contratos que permitem apostar na alta ou queda de preços sem comprar o ativo diretamente), empréstimos descentralizados e outras funcionalidades financeiras, tudo sem intermediários bancários tradicionais. Esse modelo é chamado de DeFi (finanças descentralizadas, ou “bancos digitais sem banco no meio”).

A Hyperliquid opera como uma exchange descentralizada (DEX), onde os usuários negociam diretamente entre si, sem depender de uma empresa centralizada para guardar seus fundos. O token HYPE funciona como a “moeda interna” dessa plataforma: é usado para pagar taxas de transação, participar de decisões sobre o futuro do protocolo e capturar parte da receita gerada pela rede. Para contextualizar, é como se fosse uma ação de uma empresa, mas sem a empresa: o valor está atrelado ao uso e à receita da plataforma, não a um balanço contábil tradicional.

Segundo Hougan, conforme reportou a Cointelegraph, o mercado ainda trata o HYPE como um token de nicho, quando deveria precificá-lo como infraestrutura financeira de escala global. A tese da Bitwise é que plataformas DeFi bem-sucedidas tendem a concentrar valor em seus tokens nativos, à medida que mais usuários e capital migram para elas. Historicamente, tokens de protocolos DeFi líderes (como Uniswap e Aave) apresentaram valorizações expressivas quando suas plataformas ganharam tração, embora com alta volatilidade (oscilações de preço comparáveis às do Bitcoin, que pode subir ou cair 10% em um único dia, enquanto ações raramente variam mais de 3% no mesmo período).

O que muda para o investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro, a análise da Bitwise reforça a importância de entender não apenas o preço de um criptoativo, mas a utilidade e a adoção da plataforma por trás dele. O HYPE não está disponível em ETFs cripto na B3 (como HASH11, BITH11 ou QBTC11, que focam em Bitcoin e Ethereum), o que significa que o acesso direto exige conta em exchanges internacionais ou plataformas descentralizadas. A título de comparação, investir em tokens DeFi é mais complexo do que comprar um ETF de Bitcoin na corretora brasileira: envolve carteiras digitais (wallets, ou “contas bancárias digitais sem banco”) e conhecimento técnico sobre redes blockchain.

Além disso, a regulação brasileira ainda não oferece clareza total sobre a tributação de tokens DeFi. A Receita Federal exige declaração de criptoativos e cobrança de imposto de renda sobre ganhos de capital (15% a 22,5%, dependendo do valor), mas a classificação de tokens de governança e utilidade ainda é tema de debate entre especialistas. O Banco Central, por sua vez, avança no desenvolvimento do Drex (o real digital), mas esse projeto é uma CBDC (moeda digital de banco central), totalmente diferente de plataformas DeFi como a Hyperliquid: o Drex será controlado pelo governo, enquanto o HYPE opera em rede descentralizada, sem autoridade central.

📊 Número do Dia

77% , Valorização do token HYPE em 2025, mesmo sendo considerado subvalorizado pela Bitwise

Por que isso importa

A análise da Bitwise ilustra uma dinâmica central do mercado cripto: ativos podem subir muito e ainda assim estarem “baratos” se a plataforma por trás deles estiver crescendo mais rápido do que o preço reflete. Para o investidor brasileiro, é um lembrete de que entender a utilidade e a adoção de um protocolo é tão importante quanto acompanhar gráficos de preço. Além disso, reforça o desafio de acesso: tokens DeFi promissores muitas vezes não estão disponíveis em produtos regulados no Brasil, exigindo conhecimento técnico e exposição a riscos adicionais (como falta de proteção regulatória e complexidade tributária).


Fonte original: https://cointelegraph.com/news/bitwise-says-hyperliquid-most-mispriced-crypto-despite-77-rise-this-year?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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