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Cosan pode vender toda participação na Raízen após reestruturação

Cosan avalia vender toda participação na Raízen após perder controle na reestruturação e planeja dissolver holding em até 5 anos. Entenda o impacto.
A Cosan informou nesta sexta-feira (15) que estuda vender toda a sua participação na Raízen, após ter se tornado acionista minoritária da produtora de açúcar e etanol durante o processo de reestruturação financeira da companhia.

A Cosan, uma das maiores holdings do Brasil, está considerando vender integralmente sua participação na Raízen, segundo declaração do presidente da empresa, Marcelo Martins. A decisão vem após a Cosan ter perdido o controle da Raízen — empresa que produz açúcar, etanol e distribui combustíveis — durante um processo de reestruturação financeira motivado pelo alto endividamento da companhia.

A Raízen enfrentou dificuldades financeiras que exigiram uma reorganização de suas dívidas (quando uma empresa negocia com credores para alongar prazos e reduzir juros, evitando a falência). Nesse processo, a Cosan aceitou diluir sua participação — ou seja, ver sua fatia no negócio diminuir — e passou de controladora a acionista minoritária. É como se você tivesse 60% de uma empresa e, para salvá-la, aceitasse ficar com apenas 30%, permitindo que credores entrassem como novos sócios.

Além da possível venda da Raízen, Martins afirmou que a Cosan planeja dissolver sua estrutura de holding em até cinco anos. Uma holding é uma empresa que existe principalmente para controlar outras empresas, como uma caixa que guarda várias empresas menores dentro. A dissolução significa que a Cosan deixaria de existir nesse formato, possivelmente separando seus ativos e vendendo-os individualmente.

Contexto do setor sucroenergético

A Raízen é uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo, nascida de uma joint venture (parceria empresarial) entre a Cosan e a Shell em 2011. O setor sucroenergético brasileiro enfrenta desafios como volatilidade nos preços das commodities agrícolas e necessidade constante de investimentos em modernização. A título de comparação, nos Estados Unidos, o setor de etanol é fortemente subsidiado pelo governo federal, o que reduz a pressão financeira sobre as empresas — vantagem que as brasileiras não têm na mesma escala.

Segundo a Folha de S.Paulo, a reestruturação da Raízen envolveu negociações com credores e acionistas para converter parte das dívidas em participação acionária. Esse tipo de operação é comum quando uma empresa está muito endividada: em vez de receber o dinheiro de volta, os credores aceitam virar donos de um pedaço do negócio.

📊 Número do Dia

5 anos — Prazo estimado pela Cosan para dissolver sua estrutura de holding, encerrando décadas de atuação nesse modelo empresarial

Por que isso importa

Para investidores, a possível venda da Raízen e dissolução da Cosan representa uma mudança profunda em um dos principais conglomerados brasileiros, podendo criar oportunidades de aquisição ou gerar volatilidade nas ações. Para o setor sucroenergético, sinaliza as dificuldades de manter grandes estruturas integradas em um ambiente de margens apertadas e endividamento elevado. Para o cidadão, a reorganização pode afetar preços de combustíveis e açúcar, dependendo de quem assumir o controle da Raízen e qual estratégia adotar.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/cosan-avalia-vender-toda-participacao-na-raizen-e-deve-dissolver-holding-em-ate-5-anos.shtml

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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