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Santander revisa PIB e inflação para cima em 2026

Santander eleva projeção do PIB para 1,8% e da inflação para 5,1% em 2026, prevendo juros altos por mais tempo diante de pressões inflacionárias persistentes.
O Santander Brasil revisou nesta sexta-feira suas projeções para a economia brasileira em 2026, elevando a estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de tudo que o país produz) de 1,5% para 1,8% e a inflação de 4,5% para 5,1%.

O Santander Brasil elevou suas projeções para o PIB e a inflação de 2026, sinalizando um cenário de crescimento mais forte, mas com pressão inflacionária persistente. Segundo o economista da instituição, Marcus Caruso, em entrevista ao blog de Miriam Leitão, o banco agora trabalha com um crescimento de 1,8% para o PIB brasileiro este ano, ante 1,5% estimado anteriormente. A inflação, por sua vez, foi revisada de 4,5% para 5,1% — acima do teto da meta oficial de 4,5% estabelecida pelo Banco Central.

A revisão reflete três fatores principais: petróleo mais caro por mais tempo, mercado de trabalho aquecido e inflação mais resistente do que o esperado. O aumento dos preços de bens industriais e alimentos, segundo Caruso, explica a alta da inflação. É como se o custo da cesta básica e dos produtos de consumo diário continuasse subindo mesmo com os juros elevados — o que dificulta o controle da inflação pelo Banco Central. A taxa Selic (o juro básico que o governo usa para controlar a inflação) está atualmente em patamar elevado, mas a expectativa agora é de uma redução mais lenta do que o mercado imaginava há poucos meses.

A título de comparação, o crescimento de 1,8% projetado pelo Santander para o Brasil em 2026 é modesto quando comparado a outras economias emergentes. A Índia, por exemplo, deve crescer acima de 6% no mesmo período, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Já os Estados Unidos devem crescer cerca de 2%, ritmo semelhante ao brasileiro, mas com inflação mais controlada — em torno de 2,5%, segundo dados públicos do Federal Reserve.

A combinação de inflação alta e crescimento moderado cria um dilema para o Banco Central: cortar juros para estimular a economia pode acelerar ainda mais a inflação. Por isso, a expectativa é que a Selic permaneça elevada por mais tempo, o que encarece o crédito para empresas e consumidores. Funciona como os juros do cheque especial: quanto mais alto, mais caro fica tomar emprestado.

📊 Número do Dia

5,1% , Nova projeção de inflação do Santander para 2026, acima do teto da meta de 4,5%

Por que isso importa

Para o cidadão, inflação acima da meta significa que o poder de compra continua sendo corroído — o dinheiro rende menos na prática. Para o investidor, juros altos por mais tempo favorecem aplicações de renda fixa, mas dificultam a recuperação da bolsa. Para as empresas, crédito mais caro e consumo pressionado reduzem as margens de lucro e limitam investimentos.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2026/05/santander-eleva-projecao-do-pib-e-da-inflacao-e-preve-reducao-mais-lenta-dos-juros.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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