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Bilionário mexicano adota stablecoins para pagamentos internacionais

Grupo Salinas, do bilionário mexicano Ricardo Salinas Pliego, adota stablecoins da Anchorage Digital para pagamentos internacionais. Entenda o impacto para o Brasil.
O Grupo Salinas, conglomerado mexicano controlado pelo bilionário Ricardo Salinas Pliego, anunciou em 13 de maio de 2025 uma parceria com a Anchorage Digital para integrar stablecoins (moedas digitais atreladas ao dólar) em seus fluxos de pagamentos internacionais, segundo reportou o site The Block.

O Grupo Salinas vai integrar a infraestrutura de stablecoins da Anchorage Digital em suas operações de pagamentos entre países, conforme anunciado em 13 de maio de 2025. A Anchorage Digital é uma plataforma regulada nos Estados Unidos que oferece custódia e serviços financeiros para criptomoedas. O Grupo Salinas, por sua vez, é um dos maiores conglomerados da América Latina, com atuação em varejo, telecomunicações e serviços financeiros, controlado pelo empresário Ricardo Salinas Pliego, um dos homens mais ricos do México e defensor público do Bitcoin.

Stablecoins são criptomoedas cujo valor é atrelado a uma moeda tradicional, geralmente o dólar, funcionando como um real digital que vale sempre o mesmo, mesmo quando o resto do mercado balança. Elas são usadas principalmente para facilitar transferências internacionais de dinheiro, que costumam ser lentas e caras quando feitas por bancos tradicionais. Para contextualizar: uma remessa bancária entre México e Estados Unidos pode levar dias e custar entre 3% e 7% do valor enviado, enquanto transferências com stablecoins podem ser concluídas em minutos e custar frações de 1%.

A parceria reflete uma tendência crescente na América Latina: grandes empresas estão adotando stablecoins para reduzir custos e acelerar pagamentos internacionais, especialmente em regiões onde o sistema bancário tradicional é caro ou ineficiente. Segundo dados públicos do mercado, o volume de transações com stablecoins na América Latina cresceu mais de 40% em 2024 (em janela de 12 meses até dezembro de 2024), impulsionado por países como Brasil, México e Argentina, onde a volatilidade cambial e as taxas bancárias elevadas tornam as soluções cripto mais atrativas.

Para o investidor brasileiro, o movimento é relevante porque sinaliza que grandes conglomerados latino-americanos estão validando o uso de criptomoedas em operações reais de negócios, não apenas como investimento especulativo. No Brasil, empresas como Mercado Livre e Nubank já oferecem serviços relacionados a criptomoedas, mas a integração de stablecoins em fluxos de pagamento corporativo ainda é incipiente. A regulação brasileira, conduzida pelo Banco Central, avança com o desenvolvimento do Drex (o real digital), mas ainda não há clareza sobre como stablecoins privadas, como as da Anchorage, serão tratadas no país.

📊 Número do Dia

40% , Foi o crescimento do volume de transações com stablecoins na América Latina em 2024 (em janela de 12 meses até dezembro de 2024), segundo dados públicos do mercado, refletindo a adoção crescente dessas moedas digitais para pagamentos internacionais em países com sistemas bancários caros ou ineficientes.

Por que isso importa

A parceria entre Grupo Salinas e Anchorage Digital mostra que stablecoins estão deixando de ser uma promessa teórica e se tornando ferramenta concreta para empresas reduzirem custos em pagamentos internacionais. Para o Brasil, isso reforça a pressão sobre bancos tradicionais e sobre o Banco Central para acelerar a regulação de criptomoedas e a implementação do Drex, sob risco de perder competitividade para soluções privadas já operacionais em países vizinhos.


Fonte original: https://www.theblock.co/post/401066/anchorage-grupo-salinas-partnership?utm_source=rss&utm_medium=rss

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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