Página inicial / Brasil no Mundo / Banco Central corta Selic apesar de inflação pressionada

Banco Central corta Selic apesar de inflação pressionada

Banco Central corta Selic para 14,50% apesar de inflação pressionada por guerra no Oriente Médio. Projeção para 2026 sobe para 4,6%, acima da meta.
O Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, mesmo com a inflação voltando a subir após o início dos conflitos no Oriente Médio. A decisão foi justificada pelo período prolongado de juros elevados, que já teria desacelerado a atividade econômica.

O Banco Central (BC) cortou a taxa Selic — o juro básico que o governo usa para controlar a inflação — de 14,75% para 14,50% ao ano, repetindo o movimento de março. Segundo a ata divulgada nesta terça-feira, a decisão foi tomada apesar de um cenário de incerteza elevada, com a guerra no Oriente Médio pressionando os preços de commodities (produtos básicos como petróleo e alimentos) e desancorando as expectativas de inflação — ou seja, empresas e consumidores passaram a acreditar que os preços subirão mais do que a meta oficial de 3%.

Mesmo com o corte, a Selic permanece no maior patamar desde outubro de 2006. É como se o Brasil mantivesse o pé no freio da economia, mas começasse a aliviar levemente a pressão. O BC argumenta que o período prolongado de juros altos já desacelerou a atividade econômica o suficiente para permitir esse ajuste gradual, sem comprometer o combate à inflação.

Pressões externas e internas

As expectativas de inflação, que vinham caindo, voltaram a subir após o início dos conflitos no Oriente Médio, segundo o BC. A autoridade monetária destacou que a guerra pode trazer instabilidades para o preço de commodities, com reflexos nas economias globais. Além disso, permanecem incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos, que também afetam o cenário brasileiro.

Para 2026, a estimativa oficial do BC para a inflação saltou de 3,9% para 4,6%, acima do limite de tolerância da meta, de 4,5%. Para o fim de 2027, subiu de 3,3% para 3,5%. Isso significa que o BC está mais distante de alcançar seu objetivo principal: manter a inflação sob controle.

Comparação internacional

A título de comparação, o Federal Reserve (banco central dos EUA) mantém sua taxa básica entre 5,25% e 5,50% ao ano, enquanto o Banco Central Europeu trabalha com 4,5%. A Selic brasileira, mesmo após o corte, permanece entre as mais altas do mundo, refletindo os desafios específicos do país com inflação e credibilidade fiscal.

Futuro incerto

O BC não deu indicação clara sobre as próximas decisões. Segundo a ata, “a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas”. Em outras palavras: o ritmo dos próximos cortes dependerá de como a economia reagir e de quanto a inflação se comportar nos próximos meses.

📊 Número do Dia

4,6% , Projeção do BC para a inflação em 2026, acima do limite de tolerância da meta de 4,5%

Por que isso importa

Para o cidadão, juros altos encarecem crédito e financiamentos, mas também ajudam a controlar a inflação — que corrói o poder de compra. Para o investidor, a Selic elevada mantém a renda fixa atrativa, mas sinaliza que o BC ainda vê riscos à frente. Para empresas, o custo do dinheiro permanece alto, dificultando investimentos e expansão. A decisão de cortar mesmo com inflação pressionada mostra que o BC aposta na desaceleração econômica já em curso, mas o futuro dos juros segue incerto.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/05/bc-diz-que-inflacao-voltou-a-crescer-com-guerra-no-oriente-medio-mas-que-corte-de-juros-foi-decisao-mais-adequada.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
Banner vertical do jornal Correio Capital com mensagem institucional convidando para acompanhar análises sobre a economia brasileira e assinar a newsletter.

Últimas notícias