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Mineradoras terão que investir em inovação no Brasil

Governo propõe destinação obrigatória de 1% da receita bruta para P&D, mas setor defende limite de 0,5%
Pesquisadora de jaleco branco examina amostra mineral em microscópio em laboratório moderno, inovação mineração
O relator da política de minerais críticos no Congresso Nacional incluirá no texto a obrigatoriedade de que mineradoras destinem parte de sua receita bruta para pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil. O governo propõe 1% da receita, enquanto as empresas defendem um limite de 0,5%.

O Brasil está prestes a exigir que empresas de mineração invistam obrigatoriamente em inovação dentro do país. Segundo a CNN Brasil, o relator da política de minerais críticos incluirá no texto legislativo a previsão de que mineradoras destinem um percentual de sua receita bruta (o faturamento total antes de descontar custos) para pesquisa e desenvolvimento. A proposta do governo federal é de 1%, enquanto as empresas do setor defendem um teto de 0,5%.

Minerais críticos são aqueles essenciais para tecnologias modernas — como lítio para baterias de carros elétricos, nióbio para ligas metálicas de alta resistência e terras raras usadas em smartphones e turbinas eólicas. O Brasil possui reservas significativas desses materiais, mas historicamente exporta minério bruto sem agregar valor localmente. A nova política busca reverter esse quadro, forçando as empresas a desenvolverem tecnologia no país.

Comparação internacional

A exigência de investimento em P&D não é novidade no setor mineral. Na Austrália, um dos maiores exportadores de minério do mundo, empresas de mineração investem voluntariamente cerca de 0,8% da receita em inovação, segundo dados da indústria local. No Canadá, há incentivos fiscais robustos para quem investe em pesquisa mineral, mas não uma obrigatoriedade percentual como a proposta brasileira. A diferença é que o Brasil quer tornar isso compulsório por lei, garantindo que o conhecimento gerado fique no país.

Para se ter uma ideia do impacto financeiro: se uma mineradora fatura R$ 10 bilhões por ano, 1% significaria R$ 100 milhões destinados obrigatoriamente a P&D — recursos que poderiam financiar laboratórios, universidades e startups brasileiras. Com 0,5%, como querem as empresas, o valor cairia para R$ 50 milhões, metade do potencial de investimento em inovação nacional.

O que está em jogo

A discussão reflete uma tensão clássica: o governo quer usar a riqueza mineral para desenvolver capacidade tecnológica local, enquanto as empresas argumentam que custos adicionais podem reduzir a competitividade do Brasil no mercado global. O setor de mineração representa cerca de 4% do PIB brasileiro (a soma de tudo que o país produz em um ano) e é responsável por grande parte das exportações.

📊 Número do Dia

1% , Percentual da receita bruta que mineradoras terão que investir em P&D no Brasil, segundo proposta do governo

Por que isso importa

Para o cidadão, a medida pode significar mais empregos qualificados e desenvolvimento tecnológico em regiões mineradoras. Para as empresas, representa um custo adicional que pode afetar margens de lucro, mas também a oportunidade de desenvolver processos mais eficientes. Para o investidor, o impacto dependerá de como as mineradoras ajustarão suas estruturas de custos — empresas que já investem em inovação terão vantagem competitiva.


Fonte original: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/mineradoras-terao-que-aplicar-percentual-da-receita-em-inovacao-no-brasil/

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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