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Brasil avança devagar na economia circular global

País enfrenta obstáculos regulatórios e estruturais enquanto China e Europa aceleram implementação do modelo sustentável
Trabalhador com avental verde separando garrafas plásticas e latas em centro de reciclagem, economia circular
Mais de 100 países já adotaram estratégias de economia circular — modelo que busca reduzir desperdício e reutilizar materiais na produção —, mas o Brasil enfrenta dificuldades para sair do papel. Especialistas apontam que a falta de regulação clara e incentivos fiscais trava o avanço do país, enquanto China e União Europeia aceleram.

A economia circular é um modelo produtivo que busca reduzir o desperdício ao máximo, reutilizando materiais e transformando resíduos em novos produtos — como se cada garrafa plástica voltasse a ser garrafa, em vez de virar lixo. Segundo Márcio Barreto, sócio de ESG (práticas ambientais, sociais e de governança) da consultoria KPMG, conforme reportagem de O Globo, o tema é mais complexo que a descarbonização (redução de emissões de carbono) porque exige investimento pesado, mobiliza diversos atores e esbarra em problemas estruturais como a informalidade e a gestão de lixo no Brasil.

Barreto defende que o Estado precisa acelerar o processo por meio de regulação e incentivos. “O maior obstáculo não é tecnológico, mas o modelo econômico e regulatório”, afirma o especialista. Ele argumenta que a aprovação da Política Nacional de Economia Circular (Pnec) — ainda em tramitação — daria ao governo brasileiro condições de criar marcos e benefícios fiscais para que empresas invistam em transformação produtiva. Setores como energia de biomassa e construção civil já demonstraram que o modelo pode ser lucrativo.

China e Europa na frente

A China é citada como exemplo de mobilização rápida: em dez anos, o país implementou em larga escala seu plano nacional de economia circular, com forte apoio regulatório e tecnológico. Segundo Barreto, “dez anos são 100 na China” quando se trata de tecnologia e normas para economia circular. A título de comparação, os Estados Unidos não possuem um plano nacional unificado, apenas iniciativas pontuais em alguns estados.

Já a União Europeia avançou significativamente no marco regulatório. Gabriela Otero, gerente da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, alerta que empresas brasileiras serão cobradas por esses padrões europeus, especialmente com o avanço do Acordo UE-Mercosul. Multinacionais europeias que operam no Brasil terão de aplicar os princípios de economia circular aqui, o que pode pressionar o país a acelerar suas próprias regras.

Para Otero, conforme O Globo, o problema brasileiro deixou de ser a ausência de política e passou a ser a velocidade de execução. “O risco é a lentidão: empresas brasileiras precisarão atender padrões internacionais independentemente do ritmo nacional”, afirma. Imagine que o Brasil está numa fila do pão, mas enquanto China e Europa já estão sendo atendidas, o país ainda espera sua vez — e o pão pode acabar antes.

📊 Número do Dia

100+ , países já adotaram estratégias nacionais de economia circular, mas poucos conseguem implementá-las rapidamente

Por que isso importa

Para empresas brasileiras, a lentidão regulatória pode significar perda de competitividade no mercado internacional, especialmente com a Europa. Multinacionais que operam no país terão de se adaptar a padrões mais rígidos, pressionando fornecedores locais. Para o cidadão, a demora em estruturar a economia circular significa menos empregos verdes, mais lixo acumulado e custos ambientais crescentes. Investidores atentos a critérios ESG podem privilegiar países com marcos regulatórios mais claros, desviando capital do Brasil.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/28/em-que-lugar-da-fila-do-pao-esta-o-brasil-na-economia-circular-veja-a-comparacao-com-outros-paises.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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