Sorriso, no norte de Mato Grosso, perdeu o título informal de ‘capital do agronegócio’ para Sapezal, também mato-grossense, que teve valor de produção agrícola de R$ 8,59 bilhões em 2025. São Desidério, na Bahia, ficou em segundo lugar, com R$ 8,22 bilhões, enquanto Sorriso caiu para a terceira posição, com R$ 8,16 bilhões. Os dados são da Produção Agrícola Municipal (PAM), pesquisa anual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2024, Sorriso liderava o ranking com R$ 7,2 bilhões, à frente de São Desidério e Sapezal. A inversão não decorre apenas do desempenho das lavouras: em 1º de janeiro de 2025 entrou oficialmente em funcionamento o município de Boa Esperança do Norte, criado a partir de territórios que pertenciam a Sorriso e a Nova Ubiratã. Com a divisão territorial, a área plantada em Sorriso caiu 9,3%, afetando diretamente as lavouras de soja, algodão e feijão.
Uma cidade que esperou 25 anos para existir
A criação de Boa Esperança do Norte foi autorizada por lei estadual em 2000, mas o processo ficou paralisado por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que considerou a criação inconstitucional. Após recursos ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, o STF autorizou a criação em outubro de 2023. O novo município, com população estimada em 5,9 mil habitantes, foi instalado oficialmente em 2025 — mesmo ano em que Sorriso, que tem 124,7 mil habitantes, perdeu a liderança.
O que sustenta o novo líder
O avanço de Sapezal não se deve apenas à reorganização do mapa. O valor da produção agrícola do município cresceu 46,6% entre 2024 e 2025, impulsionado principalmente pelo algodão herbáceo, que respondeu por 60% do total produzido (R$ 5,13 bilhões), com 1,2 milhão de toneladas colhidas. A soja também avançou 51,4% em valor, somando R$ 2,8 bilhões, e o milho cresceu 58,1%, chegando a R$ 656,9 milhões. São Desidério, por sua vez, teve alta de 23,7% no valor da produção, com a soja como principal cultura.
É importante notar que o valor da produção combina volume físico colhido e preços de venda, sem correção pela inflação — ou seja, parte do crescimento nominal pode refletir aumento de preços agrícolas, não apenas maior quantidade produzida. O levantamento do IBGE também mostrou que o valor da produção agrícola nacional somou R$ 927,2 bilhões em 2025, alta de 18,4% ante 2024.
Mato Grosso mantém domínio
Mato Grosso segue como o principal estado em valor de produção agrícola, com R$ 165,6 bilhões, e ocupa cinco das dez primeiras posições do ranking municipal, incluindo Campo Novo do Parecis, Diamantino e Nova Mutum. Goiás e Bahia completam a lista com municípios como Rio Verde, Cristalina, Jataí e Formosa do Rio Preto, todos com a soja como principal produto.
O episódio ilustra como decisões administrativas — neste caso, uma disputa territorial resolvida no Judiciário — podem redesenhar rankings econômicos sem que a produtividade real das lavouras tenha necessariamente caído.
📊 Número do Dia
R$ 927,2 bilhões — Valor total da produção agrícola brasileira em 2025, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE, alta nominal de 18,4% em relação a 2024, sem correção pela inflação
Por que isso importa
A mudança no ranking mostra como divisões territoriais podem afetar indicadores econômicos municipais sem refletir necessariamente perda de produtividade agrícola. Para Sorriso, a redução de 9,3% na área plantada tem efeito direto sobre a arrecadação e o peso econômico do município nas estatísticas nacionais, enquanto Sapezal se consolida como referência do agronegócio brasileiro, puxada pelo crescimento do algodão.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/entenda-mudanca-no-mapa-que-tirou-sorriso-do-topo-da-producao-agricola


