Uma semana após o início da paralisação, a Caixa apresentou, na madrugada de quinta-feira (17), uma proposta que mexe diretamente no bolso de seus empregados: mais dinheiro do banco para custear o plano de saúde da categoria, o Saúde Caixa. Segundo a Agência Brasil, a oferta eleva de 6,5% para 9% da folha de pagamento o teto de participação da Caixa no financiamento do plano, a partir de 2027.
O que está em disputa
O custeio do Saúde Caixa é a principal reivindicação dos trabalhadores, que pedem o retorno à proporção de 70% de contribuição do banco e 30% dos empregados. A proposta atual não estabelece esse percentual final, mas amplia o limite de participação da Caixa. Pelo texto, o modelo solidário do plano será mantido, sem cobrança diferenciada por faixa etária, e não haverá reajuste das mensalidades em 2026 — a Caixa assumirá o déficit do período.
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, classificou a mudança como um avanço. Segundo ela, a ampliação de 6,5% para 9% representa um aumento recorrente de cerca de R$ 900 milhões na participação da Caixa — uma estimativa do sindicato, não um valor confirmado pelo banco, que não respondeu aos pedidos de posicionamento da Agência Brasil até a publicação da reportagem.
Outros pontos da negociação
A proposta também prevê a presença de ao menos um empregado dedicado ao Saúde Caixa em cada Gerência de Pessoas e Representação Regional, além da criação, em até 60 dias, de um grupo de trabalho para discutir um novo modelo de gestão do plano. No campo da remuneração variável, o programa Super Caixa teria a premiação inicial por habilitação elevada de 25% para 50% no segundo semestre de 2026. A Caixa também manteve a oferta de um prêmio de R$ 3 mil por empregado pela superação da meta de eficiência operacional de 2026, já atingida em junho.
Como funciona a votação
A assembleia será virtual, no dia 21, das 11h às 18h, com plenária de esclarecimento entre 9h e 11h. Se a proposta for aprovada, o dia de paralisação de 20 de agosto será abonado, e os demais dias parados terão de ser compensados em até 180 dias — um detalhe que interfere diretamente na rotina de quem depende dos serviços da Caixa, como pagamento de benefícios sociais e linhas de crédito. Até lá, a categoria segue em greve, e o resultado da votação vai definir se a maior participação financeira do banco no plano de saúde é suficiente para encerrar o impasse.
📊 Número do Dia
de 6,5% para 9% da folha — Novo teto de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027, segundo proposta do banco relatada pela Agência Brasil
Por que isso importa
A ampliação do custeio do plano de saúde pela Caixa afeta diretamente a renda disponível dos cerca de milhares de empregados do banco, que hoje arcam com parte maior das mensalidades. Se aprovada, a mudança também representa um custo recorrente adicional para a instituição financeira, estimado pelo sindicato em cerca de R$ 900 milhões — valor que ainda depende de confirmação oficial da Caixa.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/trabalhadores-da-caixa-decidem-na-proxima-semana-sobre-fim-da-greve


