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quinta-feira, 20 de agosto de 2026 Brasil

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Mulheres são maioria no setor de seguros, mas não lideram

As mulheres são maioria entre os trabalhadores do mercado de seguros e previdência privada no Brasil, mas continuam sub-representadas nos cargos de liderança. É o que revela a primeira edição da pesquisa FeMa Meter, divulgada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Mulheres são 54% da força de trabalho em seguros, mas ocupam apenas 18,5% dos conselhos. Pesquisa da Susep revela desigualdade na liderança do setor.

As mulheres representam 54,4% da força de trabalho no setor de seguros e previdência privada aberta no Brasil, mas ocupam apenas 28,5% dos cargos de gestão executiva e 18,5% das vagas em conselhos de administração. Os dados fazem parte da primeira edição da pesquisa FeMa Meter, divulgada pela Susep (a agência reguladora do setor), que ouviu 142 empresas e mapeou a participação feminina tanto como profissionais quanto como consumidoras de seguros.

O levantamento expõe um padrão conhecido em outros setores da economia: quanto mais alto o cargo, menor a presença de mulheres. É como se houvesse uma escada invisível que vai ficando mais estreita a cada degrau — as mulheres entram em grande número na base, mas encontram barreiras crescentes para chegar ao topo. Esse fenômeno, chamado de “teto de vidro” (uma barreira invisível que impede a ascensão profissional), revela que a igualdade numérica na entrada não se traduz em igualdade de oportunidades na liderança.

O que dizem os números

Segundo a Susep, as mulheres também contratam menos produtos de seguros e previdência privada do que os homens nos segmentos analisados. Compreender esse comportamento é essencial para ampliar a chamada “inclusão securitária” — ou seja, garantir que mais pessoas tenham acesso a proteção financeira por meio de seguros. O termo “securitário” vem de “seguro” e se refere a tudo relacionado ao mercado de seguros, que funciona como uma rede de proteção: você paga um valor mensal (o prêmio) e, se algo ruim acontecer (um acidente, uma doença, um roubo), a seguradora cobre os custos.

A pesquisa utilizou dados de 31 de dezembro de 2024, enviados por 129 seguradoras e 13 entidades de previdência complementar aberta (empresas que oferecem planos de aposentadoria privados, diferentes da previdência pública do INSS). A ferramenta FeMa Meter, desenvolvida por uma organização internacional sem fins lucrativos, foi criada justamente para medir a inclusão de gênero em mercados emergentes como o brasileiro.

Comparação internacional

O Brasil não está sozinho nesse desafio. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mulheres ocupam apenas 28% dos cargos de gestão no mundo — proporção praticamente idêntica à encontrada no setor de seguros brasileiro. Na Europa, a situação é ligeiramente melhor: mulheres ocupam cerca de 33% das posições de liderança em empresas financeiras, segundo a Comissão Europeia. A título de comparação, países nórdicos como a Noruega implementaram cotas obrigatórias para conselhos de administração, elevando a participação feminina para acima de 40% — o que sugere que políticas públicas podem acelerar mudanças que, de outra forma, levariam décadas.

Por que isso importa

A sub-representação feminina na liderança do setor de seguros não é apenas uma questão de justiça social — é também uma questão econômica. Empresas com maior diversidade de gênero em posições de comando tendem a tomar decisões mais equilibradas e a desenvolver produtos que atendem melhor a toda a população. Para as consumidoras, isso pode significar seguros e planos de previdência mais adequados às suas necessidades. Para o setor, representa a oportunidade de ampliar sua base de clientes e aumentar a penetração de seguros no país, que ainda é baixa em comparação com economias desenvolvidas. Para a economia brasileira como um todo, significa aproveitar melhor o talento de mais da metade da população.

📊 Número do Dia

54,4% — Percentual de mulheres na força de trabalho do setor de seguros — maioria numérica que não se reflete nos cargos de liderança

Por que isso importa

A desigualdade na liderança do setor de seguros revela um desperdício de talento que afeta toda a economia. Empresas mais diversas tomam decisões melhores e criam produtos mais adequados a todos os públicos. Para as mulheres, significa barreiras invisíveis que limitam carreiras promissoras. Para o setor, representa a perda de oportunidade de ampliar sua base de clientes. E para o país, é mais um obstáculo ao crescimento econômico sustentável, já que metade da população enfrenta dificuldades para alcançar posições de maior impacto e remuneração.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/mulheres-sao-maioria-no-setor-de-seguros-mas-minoria-na-lideranca