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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Dinheiro esquecido em bancos cai para R$ 6,2 bilhões

O volume de dinheiro esquecido por pessoas e empresas em bancos caiu para R$ 6,24 bilhões em maio de 2026, segundo o Banco Central. A redução ocorreu após a transferência de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Garantidor de Operações, usado no programa Desenrola Brasil.

Dinheiro esquecido em bancos cai para R$ 6,2 bi após governo transferir R$ 5,7 bi ao Desenrola. Saiba como consultar e resgatar seus valores.

O estoque de recursos esquecidos em instituições financeiras brasileiras encolheu quase pela metade em maio, passando de mais de R$ 10 bilhões para R$ 6,24 bilhões. A queda aconteceu porque o governo federal transferiu R$ 5,7 bilhões desses valores para o Fundo Garantidor de Operações (FGO) — uma espécie de cofre público que dá garantias ao programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil. É como se o governo tivesse usado parte do dinheiro que ninguém reclamou para ajudar quem está endividado a limpar o nome.

A operação foi autorizada pela Lei 14.973/2024 e está sendo analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga se é adequado usar recursos fora do Orçamento público para financiar programas federais. Mesmo após a transferência, o Banco Central manteve pelo menos 10% do valor transferido reservado para atender eventuais pedidos de resgate feitos posteriormente pelos donos originais do dinheiro.

Quem ainda pode sacar e quanto

Apesar da redução, R$ 6,24 bilhões continuam disponíveis para devolução a 26,35 milhões de beneficiários. Desse total, R$ 4,44 bilhões pertencem a 24,08 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 1,8 bilhão está nas mãos de 2,27 milhões de empresas. Desde a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR), em 2022, o Banco Central já devolveu R$ 15,47 bilhões aos titulares — um montante equivalente a cerca de 0,14% do PIB brasileiro (a soma de tudo que o país produz em um ano).

A maior parte dos beneficiários, porém, tem pouco a receber. Cerca de 67,6% das pessoas têm até R$ 10 disponíveis, enquanto apenas 2,46% possuem mais de R$ 1 mil para resgatar. É uma distribuição parecida com a de programas de cashback: muita gente com pequenos valores, poucos com quantias significativas. A título de comparação, nos Estados Unidos, programas similares de devolução de recursos não reclamados movimentam bilhões de dólares anualmente, mas com prazos de prescrição mais longos — lá, alguns estados mantêm os valores disponíveis indefinidamente.

Onde está o dinheiro

Os recursos estão espalhados por diferentes tipos de instituições financeiras. Bancos tradicionais concentram a maior fatia, com R$ 2,91 bilhões a devolver, seguidos por administradoras de consórcio (R$ 2,25 bilhões) e cooperativas de crédito (R$ 586,7 milhões). Instituições de pagamento, financeiras, corretoras e distribuidoras somam outros R$ 489 milhões. O dinheiro pode vir de contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, parcelas de empréstimos pagas a mais, ou até cotas de cooperativas de crédito.

A consulta é gratuita e deve ser feita exclusivamente pelo site do Banco Central (bcb.gov.br/meubc/valores-a-receber). O processo exige login com conta Gov.br de nível prata ou ouro — o mesmo sistema usado para acessar serviços públicos digitais — e, para quem tem CPF cadastrado como chave Pix, o resgate pode ser automático. Herdeiros também podem consultar valores de pessoas falecidas, mediante apresentação de documentação e termo de responsabilidade.

📊 Número do Dia

R$ 6,24 bilhões — Volume de dinheiro esquecido ainda disponível para resgate por 26,35 milhões de brasileiros em maio de 2026

Por que isso importa

Para o cidadão, é uma oportunidade concreta de recuperar dinheiro que pode estar parado em seu nome — mesmo que pequeno, todo recurso conta em tempos de juros altos. Para o governo, a transferência de R$ 5,7 bilhões ao Desenrola Brasil mostra uma estratégia criativa de financiar políticas públicas sem aumentar gastos orçamentários diretos, embora levante questões sobre transparência fiscal. Para investidores, o caso ilustra como recursos não reclamados podem ser redirecionados para programas de crédito, afetando a dinâmica do mercado de renegociação de dívidas.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/dinheiro-esquecido-em-bancos-cai-para-r-62-bilhoes-diz-bc