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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Sociobioeconomia já representa 25% do PIB brasileiro

A sociobioeconomia — modelo que combina produção econômica com preservação ambiental — já representa 25,3% do PIB brasileiro, movimentando R$ 2,7 trilhões, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria. Apesar do crescimento, produtores enfrentam dificuldades para acessar financiamento.

Sociobioeconomia movimenta R$ 2,7 tri e representa 25% do PIB brasileiro, mas produtores enfrentam barreiras para acessar crédito. Programa quer destinar R$ 5 bi até 2030.

A sociobioeconomia, modelo de desenvolvimento praticado principalmente por comunidades indígenas e quilombolas que produzem bens e serviços usando recursos naturais de forma sustentável, já movimenta R$ 2,7 trilhões no Brasil. Isso equivale a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país), conforme pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria divulgada pela Agência Brasil.

O setor inclui atividades como plantio de agroflorestas (sistemas que combinam árvores com cultivos agrícolas), produção de alimentos e madeira a partir de restauração florestal, e extração sustentável de óleos e manteigas da Amazônia e do Cerrado. Segundo Fabíola Zerbini, diretora executiva da Conexsus, organização que apoia negócios comunitários, o setor tem saído da invisibilidade após sua inclusão em políticas públicas como o Plano de Transformação Ecológica e instrumentos de finanças verdes como o Ecoinvest.

O gargalo do crédito

Apesar do peso econômico, produtores na ponta da cadeia ainda enfrentam barreiras significativas para acessar financiamento. A Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária (COPABASE), que existe há 18 anos em Arinos (MG) e reúne 165 cooperados produzindo polpas de frutas do Cerrado, só conseguiu sua primeira linha de crédito após mais de uma década de operação. “A maior parte dos incentivos e políticas de fomento não foram feitas para esses negócios comunitários”, explica Zerbini.

O crédito permitiu à COPABASE investir na cadeia da castanha de baru, mudando a lógica local. “Antes a árvore era só para corte de madeira. Depois que começamos a beneficiar, os produtores perceberam que o baru vale mais em pé”, conta Anny Caroliny Rocha, gestora ambiental da cooperativa. É como se os produtores descobrissem que a galinha dos ovos de ouro vale mais viva do que abatida — a árvore em pé gera renda contínua, enquanto cortada rende apenas uma vez.

Situação semelhante ocorreu com a Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), no Amazonas, que gera renda para mais de 1,5 mil famílias produzindo óleos de copaíba e andiroba. “Tivemos que buscar apoio da Conexsus para conseguir financiamento e aumentar o número de colaboradores”, relata a presidente Marcikely Ferreira.

Comparação internacional

A título de comparação, países como Costa Rica e Equador também desenvolveram modelos de bioeconomia baseados em comunidades locais, mas com sistemas de crédito rural mais acessíveis. Na Costa Rica, programas de pagamento por serviços ambientais (compensação financeira para quem preserva florestas) estão consolidados há mais de duas décadas, facilitando o acesso de pequenos produtores a recursos.

Nova frente de investimento

Para enfrentar o problema, uma parceria entre Conexsus, Instituto Clima e Sociedade e Banco do Brasil criou o Programa Implementa Sociobio, com meta de destinar R$ 5 bilhões em crédito aos produtores até 2030. “A iniciativa contribui para ampliar o acesso a instrumentos financeiros, assistência técnica e mercados, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis”, afirma José Ricardo Sasseron, vice-presidente de Governo e Sustentabilidade do Banco do Brasil.

Segundo Zerbini, fortalecer a sociobioeconomia vai além do valor imediato dos produtos. “Esses negócios entregam serviços ecossistêmicos, como captura de gases do efeito estufa (que causam o aquecimento global), e mitigam riscos climáticos como secas extremas e enchentes urbanas”, explica. Em outras palavras, investir nesse modelo é como contratar um seguro contra desastres climáticos — reduz custos futuros com cisternas em secas ou reconstrução após inundações.

📊 Número do Dia

R$ 2,7 trilhões — Valor movimentado pela sociobioeconomia no Brasil, equivalente a 25,3% do PIB nacional

Por que isso importa

Para o cidadão, o fortalecimento da sociobioeconomia significa mais empregos em comunidades tradicionais e menor risco de desastres climáticos que afetam o custo de vida (como secas que encarecem alimentos e energia). Para empresas, representa oportunidade de investimento em cadeias sustentáveis com demanda crescente no mercado internacional. Para investidores, o setor oferece retorno financeiro aliado a impacto socioambiental positivo, com R$ 5 bilhões em crédito programados até 2030.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/mercado-financeiro-abre-espaco-iniciativas-que-preservam-floresta