O governo federal criou uma nova modalidade de crédito consignado que permite ao trabalhador com carteira assinada usar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia. O FGTS é uma poupança obrigatória em que o empregador deposita 8% do salário do funcionário todo mês — funciona como uma reserva financeira que o trabalhador pode sacar em situações específicas, como demissão sem justa causa ou compra da casa própria. Agora, esse saldo pode servir de garantia para conseguir empréstimos com juros mais baixos.
A mudança vale apenas para empréstimos com taxa de juros limitada a 1,99% ao mês, ou cerca de 26,5% ao ano. Para comparação, o consignado tradicional — aquele em que o desconto da parcela sai direto do salário — cobra em média 1,7% ao mês, segundo dados do Banco Central. Já o rotativo do cartão de crédito pode ultrapassar 15% ao mês. A lógica é simples: quanto maior a garantia oferecida ao banco, menor o risco de calote e, portanto, menores os juros cobrados do tomador.
O consignado CLT já movimentava R$ 117 bilhões em um ano, conforme reportado pela Folha de S.Paulo. A inclusão do FGTS como garantia pode ampliar o acesso ao crédito para trabalhadores que têm saldo acumulado no fundo, mas cujo salário não comporta descontos mensais elevados. É como usar o dinheiro guardado no cofre para conseguir um empréstimo mais barato, sem precisar sacá-lo de imediato.
A título de comparação, nos Estados Unidos, trabalhadores podem usar contas de aposentadoria (401k) como garantia em empréstimos pessoais, mas com regras rígidas para evitar o comprometimento da poupança de longo prazo. No Brasil, o FGTS já é usado como garantia em financiamentos imobiliários, mas esta é a primeira vez que entra no consignado para trabalhadores CLT.
Número do Dia
1,99% ao mês é o teto de juros para empréstimos consignados CLT com garantia do FGTS — taxa que equivale a cerca de 26,5% ao ano, abaixo da média do crédito pessoal no Brasil.
Por Que Isso Importa
Para o trabalhador, a medida pode significar acesso a crédito mais barato em momentos de aperto financeiro, sem comprometer todo o salário. Para os bancos, a garantia do FGTS reduz o risco de inadimplência, o que pode estimular a oferta de crédito. Mas é preciso cautela: usar a poupança de longo prazo como garantia pode deixar o trabalhador desprotegido em caso de demissão ou emergência. A regra tenta equilibrar acesso ao crédito com proteção social — um desafio clássico da política econômica brasileira.
📊 Número do Dia
1,99% ao mês — Teto de juros para consignado CLT com garantia do FGTS, equivalente a cerca de 26,5% ao ano
Por que isso importa
Para o trabalhador, a medida pode significar acesso a crédito mais barato em momentos de aperto financeiro, sem comprometer todo o salário. Para os bancos, a garantia do FGTS reduz o risco de inadimplência, o que pode estimular a oferta de crédito. Mas é preciso cautela: usar a poupança de longo prazo como garantia pode deixar o trabalhador desprotegido em caso de demissão ou emergência.


