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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Petrobras investe R$ 32 bilhões em navios brasileiros

O presidente Lula visitou nesta sexta-feira (26) o estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí (SC), onde estão sendo fabricadas dez embarcações de apoio marítimo para a Petrobras. A iniciativa faz parte do Programa Mar Aberto, que prevê investimento de R$ 12 bilhões na construção de 42 navios no estado.

Petrobras anuncia R$ 32 bi em navios brasileiros até 2032. Programa Mar Aberto prevê 42 embarcações em SC e mais de 5 mil empregos diretos.

A Petrobras planeja investir R$ 32 bilhões até 2032 na indústria naval brasileira, segundo anunciou a presidente da estatal, Magda Chambriard, durante visita do presidente Lula a estaleiros em Santa Catarina. O montante será aplicado por meio do Programa Mar Aberto e de recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) — um fundo público criado em 1958 para financiar a expansão da frota marítima e a modernização de estaleiros e portos no país.

Atualmente, 16 embarcações estão em construção em dois estaleiros catarinenses: dez no Detroit Brasil (Itajaí) e seis no Navship (Navegantes). São navios de apoio às plataformas de petróleo em alto-mar: seis do tipo PSV (que transportam cargas, alimentos e equipamentos) e quatro do tipo OSRV (especializados em conter e recolher derramamentos de petróleo). Além dessas, a Petrobras já contratou ou lançou editais para outras 32 embarcações, totalizando 48 barcos, conforme prometido por Chambriard ao presidente.

O Programa Mar Aberto, criado para renovar a frota da Petrobras, prevê a construção de 42 embarcações em Santa Catarina com investimento de R$ 12 bilhões. A expectativa é gerar mais de 5 mil empregos diretos no estado — número significativo para uma região que viu a indústria naval praticamente desaparecer na última década. A título de comparação, a Coreia do Sul, líder mundial em construção naval, emprega cerca de 200 mil pessoas no setor, mas atende ao mercado global; proporcionalmente, o programa brasileiro representa uma retomada relevante para a escala do país.

Em seu discurso, Lula defendeu a compra de navios fabricados no Brasil como estratégia de desenvolvimento. “Quando você compra de lá, você não desenvolve a indústria nacional. Quando você compra de lá, você não desenvolve tecnologia aqui. Quando você compra de lá, você não gera emprego aqui”, afirmou o presidente, segundo a Agência Brasil. O argumento reflete a política de conteúdo local — exigência de que parte dos equipamentos e serviços contratados pela Petrobras seja produzida no país.

Além do petróleo: defesa e transporte

Os estaleiros catarinenses também fabricam embarcações para a Marinha. O Programa Fragatas Classe Tamandaré prevê investimento de R$ 13,9 bilhões até 2030, sendo R$ 10,5 bilhões do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, plano do governo federal para obras de infraestrutura). A iniciativa deve gerar cerca de 2 mil empregos diretos e 6 mil indiretos, conforme dados do governo.

A Petrobras também negociou a construção de 18 barcaças para transporte de grandes volumes de combustível e 18 empurradores (embarcações que movimentam as barcaças). Esses navios são essenciais para o escoamento de combustíveis por hidrovias — uma alternativa mais barata e menos poluente que o transporte rodoviário. Imagine que, em vez de centenas de caminhões-tanque nas estradas, o combustível viaja em grandes “caixas flutuantes” empurradas por barcos: é mais seguro, consome menos energia e reduz o trânsito de veículos pesados.

A Petrobras é reconhecida como a principal demandante de navios no Brasil. Sem suas encomendas, a indústria naval brasileira praticamente não teria escala para competir. O investimento de R$ 32 bilhões até 2032 representa cerca de 3% do orçamento total de investimentos da estatal no período, segundo projeções públicas da empresa — uma fatia pequena, mas estratégica para manter a cadeia de fornecedores nacional ativa.

📊 Número do Dia

R$ 32 bilhões — Investimento da Petrobras na indústria naval brasileira até 2032, por meio do Programa Mar Aberto e do Fundo da Marinha Mercante

Por que isso importa

Para o trabalhador, significa a criação de mais de 5 mil empregos diretos em Santa Catarina, em um setor que praticamente desapareceu na última década. Para a Petrobras, representa a garantia de fornecimento de navios essenciais às operações em alto-mar, com menor dependência de importações. Para o país, é uma aposta na reconstrução de uma cadeia industrial estratégica — a construção naval exige tecnologia avançada, mão de obra qualificada e gera empregos de longo prazo, diferentemente de setores mais voláteis.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/lula-visita-estaleiro-que-constroi-embarcacoes-para-petrobras