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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Indústria de alimentos lidera geração de empregos no Brasil

A fabricação de produtos alimentícios foi a atividade industrial que mais empregou no Brasil em 2024, com 2,1 milhões de trabalhadores, segundo a Pesquisa Industrial Anual divulgada pelo IBGE. O total de pessoas ocupadas na indústria brasileira atingiu 8,7 milhões.

Indústria de alimentos empregou 2,1 milhões em 2024 e lidera setor industrial brasileiro. Veja dados de salários, produtividade e concentração regional.

A indústria de alimentos consolidou-se como a maior empregadora do setor industrial brasileiro em 2024, com 2,1 milhões de trabalhadores — quase um quarto de todos os empregos industriais do país. Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Anual (PIA) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mapeou 358,4 mil empresas industriais empregando 8,7 milhões de pessoas no total.

Para entender a dimensão desse número: é como se toda a população de Brasília trabalhasse apenas na fabricação de alimentos. O setor não apenas lidera em empregos, mas também em receita líquida de vendas, respondendo por 23% do total da indústria de transformação (aquela que pega matérias-primas e as transforma em produtos acabados). Em valores, isso representou R$ 1,6 trilhão dos R$ 6,8 trilhões de receita líquida total da indústria.

A força da cadeia alimentar

Segundo Marcelo Miranda, gerente de Análise e Disseminação da pesquisa, a liderança do setor alimentício reflete a importância de toda a cadeia produtiva brasileira, desde a agricultura até a transformação industrial. “A economia brasileira tem muita dependência da produção e fabricação de alimentos”, explicou Miranda à Agência Brasil. Essa característica aparece em 18 das 27 unidades da Federação, onde a fabricação de alimentos é a principal atividade industrial em valor de transformação (a riqueza efetivamente gerada pela indústria).

Outros setores também se destacaram no emprego: confecção de vestuário (551,8 mil trabalhadores), fabricação de produtos de metal (517,1 mil) e veículos automotores (491,9 mil). Juntas, as indústrias de transformação concentraram 97,1% de todo o emprego industrial do país.

Comparação internacional

A título de comparação, a concentração do emprego industrial em alimentos no Brasil é significativamente maior que em economias desenvolvidas. Nos Estados Unidos e na Alemanha, por exemplo, setores como tecnologia, máquinas e equipamentos tendem a liderar a geração de empregos industriais, refletindo estruturas produtivas mais diversificadas e com maior valor agregado. A predominância brasileira em alimentos evidencia a vantagem competitiva do país no agronegócio, mas também sinaliza uma estrutura industrial ainda fortemente ancorada em commodities e produtos de menor complexidade tecnológica.

Salários e produtividade

O salário médio na indústria brasileira ficou em 3,0 salários mínimos em 2024 — ou seja, R$ 4.236 considerando o mínimo vigente naquele ano. Mas há grandes diferenças entre setores: enquanto a extração de petróleo e gás pagou em média 17,5 salários mínimos, a indústria de transformação ficou em 2,9 mínimos. No total, a indústria pagou R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações.

Em produtividade (medida pelo valor de transformação industrial por trabalhador), a extração de petróleo e gás liderou com R$ 13,3 milhões gerados por pessoa ocupada — um valor 30 vezes superior à média da indústria de transformação. Isso mostra como setores intensivos em capital e tecnologia geram mais riqueza por trabalhador, ainda que empreguem menos pessoas.

Concentração regional e empresarial

A Região Sudeste concentrou 60,3% de toda a riqueza industrial gerada no país, com São Paulo sozinho respondendo por 34,5%. O estado paulista abriga desde indústrias de alimentos até setores de alta tecnologia, farmacêuticos e químicos. Rio de Janeiro (12,8%) e Minas Gerais (10,8%) completam o pódio, impulsionados por petróleo, gás, mineração e metalurgia.

Segundo o IBGE, essa concentração regional “é um traço persistente da estrutura industrial brasileira, associada à história de formação do parque industrial, infraestrutura, mercado consumidor e redes logísticas”. O Sul do país aparece como segundo polo industrial (19,1%), enquanto Nordeste (8,4%), Norte (6,3%) e Centro-Oeste (6,0%) têm participação menor.

Uma exceção notável é o Amazonas, única unidade da Federação onde a fabricação de produtos eletrônicos lidera — resultado direto da Zona Franca de Manaus, que concentra a produção de eletrônicos, informática e equipamentos ópticos do país.

Em termos de tamanho empresarial, as grandes empresas (com 500 ou mais funcionários) dominam: respondem por 67,9% da receita líquida total, embora sejam minoria em número. As médias empresas (100 a 499 funcionários) ficam com 17,4%, enquanto pequenas e microempresas somam apenas 14,8% da receita — evidenciando que, na indústria brasileira, escala ainda é determinante para competitividade.

📊 Número do Dia

2,1 milhões — Trabalhadores empregados pela indústria de alimentos em 2024, tornando-a a maior empregadora industrial do Brasil

Por que isso importa

Para o trabalhador, a indústria de alimentos representa a maior porta de entrada no setor industrial, com salários médios próximos a 3 salários mínimos. Para investidores, o setor reflete a força do agronegócio brasileiro e sua capacidade de gerar receitas bilionárias — mas também expõe a dependência de setores de menor valor agregado. Para o país, os dados revelam uma estrutura industrial concentrada geograficamente (60% no Sudeste) e setorialmente (alimentos dominam 18 de 27 estados), sinalizando desafios de diversificação produtiva e distribuição regional de oportunidades.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/fabricacao-de-produto-alimenticio-gerou-mais-emprego-em-2024-diz-ibge