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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Emprego formal cresce 3,6%, mas setor público lidera expansão

O mercado de trabalho formal brasileiro alcançou 62,2 milhões de vínculos ativos em fevereiro de 2026, crescimento de 3,6% em 12 meses, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) Mensalizada divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O avanço foi puxado principalmente pelo setor público, que expandiu 8,6% no período.

Emprego formal no Brasil cresce 3,6% em 12 meses, mas setor público avança quatro vezes mais rápido que o privado. Entenda os dados e o impacto na economia.

O Brasil adicionou 2,17 milhões de empregos formais em um ano, mas a composição desse crescimento revela um desequilíbrio importante. Enquanto o setor público criou 1,09 milhão de postos (alta de 8,6%), os trabalhadores com carteira assinada no setor privado avançaram apenas 1,04 milhão (crescimento de 2,2%), segundo dados da Rais Mensalizada divulgados em junho de 2026. Dos 62,2 milhões de vínculos formais registrados em fevereiro, 13,8 milhões eram agentes públicos — incluindo servidores estatutários, contratados temporários e ocupantes de cargos em comissão — e 48 milhões eram celetistas (trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, que é o regime de carteira assinada no setor privado).

O ritmo de expansão do emprego público foi quatro vezes superior ao do setor privado. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o número de agentes públicos saltou de 12,8 milhões para 13,8 milhões, avanço de 7,81% em apenas dois meses. Desse total, cerca de 886,9 mil foram contratações por tempo determinado — o que sugere que parte significativa da expansão pode ser temporária, ligada a necessidades pontuais de governos estaduais e municipais. É como se, em vez de contratar funcionários permanentes, o governo estivesse chamando trabalhadores para projetos específicos, como ocorre em empresas que contratam freelancers para demandas sazonais.

Comparação internacional e contexto

A título de comparação, países desenvolvidos costumam apresentar participação do setor público no emprego formal entre 15% e 20% do total. No Brasil, os agentes públicos já representam 22,2% dos vínculos formais, proporção que vem crescendo. Nos Estados Unidos, segundo dados da OCDE, o emprego público representa cerca de 15% da força de trabalho formal. A diferença não significa necessariamente excesso de servidores, mas reflete escolhas de política pública: países com Estados mais presentes em saúde, educação e segurança tendem a ter mais servidores.

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste lideraram o crescimento proporcional do emprego formal, com altas de 4,16%, 3,27% e 2,70%, respectivamente. Em números absolutos, Minas Gerais e São Paulo se destacaram, criando 271,2 mil e 148,5 mil novos vínculos. A participação feminina no mercado formal também avançou: o número de mulheres empregadas formalmente chegou a 28,6 milhões, crescimento de 4,7% em 12 meses, enquanto entre os homens a alta foi de 2,7%. Com isso, a presença feminina no emprego formal subiu de 45,6% para 46,1%.

Salários e inconsistências nos dados

A remuneração média mensal dos trabalhadores formais chegou a R$ 4.369 em dezembro de 2025, alta de 3,8% em relação a fevereiro do mesmo ano. A massa salarial mensal (a soma de todos os salários pagos no país) passou de R$ 235,7 bilhões em janeiro para R$ 240,7 bilhões em dezembro, crescimento de 2,1%. O setor de serviços concentrou a maior fatia, com cerca de R$ 155 bilhões. Porém, o Ministério do Trabalho identificou inconsistências nos dados de remuneração enviados pelos empregadores: embora o número de vínculos tenha crescido para 62,2 milhões, a quantidade de registros com remuneração válida caiu de 55,26 milhões para 53,53 milhões. Diante disso, o governo decidiu divulgar dados salariais apenas até dezembro de 2025 e aprofundar a análise antes das próximas atualizações.

📊 Número do Dia

8,6% — Crescimento anual do emprego no setor público, quatro vezes superior ao ritmo de expansão do setor privado (2,2%)

Por que isso importa

Para o cidadão, o crescimento do emprego formal é positivo, mas a concentração no setor público levanta questões sobre sustentabilidade fiscal: servidores representam despesas permanentes para o Estado, financiadas por impostos. Para o investidor, o dado sinaliza que o dinamismo do setor privado segue moderado, o que pode refletir incertezas econômicas ou custo elevado de contratação. Para empresas, o ritmo lento de criação de vagas com carteira assinada sugere que o ambiente de negócios ainda não favorece expansões robustas de quadro de pessoal.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/mercado-de-trabalho-formal-cresce-36-servico-publico-puxa-alta