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Ataques em DeFi afastam investidores institucionais do setor

Ataques a pontes blockchain e queda nos rendimentos fazem instituições repensarem investimentos em DeFi. Entenda o impacto para o investidor brasileiro.
Instituições financeiras estão reconsiderando sua exposição ao mercado de finanças descentralizadas (DeFi) após uma série de ataques a pontes blockchain e a redução dos rendimentos oferecidos pelo setor, segundo análise publicada pela Cointelegraph em 22 de maio de 2025.

O mercado de DeFi (finanças descentralizadas, ou bancos digitais sem banco no meio) enfrenta uma crise de confiança entre investidores institucionais. Conforme reportou a Cointelegraph, citando declarações de Putiatin, executivo da Symbiotic, os repetidos ataques a pontes blockchain (sistemas que conectam diferentes redes de criptomoedas, permitindo a transferência de ativos entre elas) estão fazendo grandes investidores questionarem se os riscos do setor ainda justificam os retornos.

Pontes blockchain tornaram-se um dos alvos favoritos de hackers no universo cripto. Esses sistemas funcionam como pedágios entre diferentes rodovias digitais: quando um usuário quer mover seus ativos de uma rede para outra, a ponte trava as moedas de um lado e libera equivalentes do outro. O problema é que essas pontes concentram grandes volumes de recursos, transformando-se em cofres atraentes para criminosos. Cada exploit bem-sucedido não apenas gera perdas financeiras diretas, mas corrói a confiança de investidores profissionais que operam com mandatos de gestão de risco rigorosos.

Paralelamente aos riscos de segurança, os rendimentos oferecidos por protocolos DeFi vêm encolhendo. No auge do mercado, entre 2020 e 2021, não era incomum encontrar protocolos oferecendo retornos anuais de dois dígitos para quem emprestasse suas criptomoedas. Hoje, com a maturação do mercado e a redução da especulação, esses números caíram significativamente. Para contextualizar com o mercado brasileiro: enquanto um CDB de banco médio oferece cerca de 13% ao ano (em maio de 2025, considerando a Selic em torno de 12%), os protocolos DeFi mais seguros raramente superam essa marca, mas carregam riscos tecnológicos e regulatórios muito superiores.

Para o investidor brasileiro, o cenário traz uma lição importante sobre diversificação e gestão de risco. Os ETFs de criptomoedas negociados na B3, como HASH11 e QBTC11, oferecem exposição ao mercado cripto sem os riscos específicos de protocolos DeFi. Esses fundos investem diretamente em Bitcoin e outras criptomoedas estabelecidas, sem passar por pontes blockchain ou protocolos de empréstimo descentralizado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exige que esses produtos sigam regras de custódia e transparência que não existem no mundo DeFi puro.

Segundo conhecimento de mercado, instituições financeiras tradicionais que experimentaram DeFi entre 2021 e 2023 agora adotam postura mais cautelosa. A equação risco-retorno mudou: os rendimentos caíram enquanto a frequência de ataques permaneceu alta. Historicamente, setores financeiros emergentes passam por ciclos de entusiasmo seguidos de consolidação, quando apenas os projetos com fundamentos sólidos sobrevivem. O DeFi parece estar atravessando exatamente essa fase de maturação forçada.

📊 Número do Dia

Relação risco-retorno , Investidores institucionais questionam se os riscos de segurança em DeFi ainda justificam os retornos, que encolheram significativamente desde 2021

Por que isso importa

A perda de confiança institucional em DeFi pode acelerar a migração de capital para produtos cripto regulados, como os ETFs da B3. Para o investidor brasileiro, isso reforça a importância de entender que nem toda exposição a criptomoedas carrega os mesmos riscos: investir em Bitcoin via QBTC11 é fundamentalmente diferente de emprestar criptomoedas em protocolos descentralizados. A consolidação do setor pode, no longo prazo, fortalecer os projetos que sobreviverem, mas o caminho até lá será marcado por volatilidade e seleção natural tecnológica.


Fonte original: https://cointelegraph.com/features/defi-hacks-institutional-confidence-risks-outpace-yields?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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