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Alemanha mantém isenção fiscal para Bitcoin após um ano

Alemanha mantém isenção fiscal para Bitcoin após um ano de posse. Comitê rejeita proposta do Partido Verde. Entenda o contraste com a tributação brasileira.
O Comitê de Finanças da Alemanha rejeitou nesta quinta-feira (22) uma proposta do Partido Verde que pretendia eliminar a isenção de impostos sobre ganhos com Bitcoin e outras criptomoedas mantidas por mais de um ano, segundo reportou a BeInCrypto.

A Alemanha decidiu manter uma das regras tributárias mais favoráveis da Europa para investidores de criptomoedas. O Comitê de Finanças do parlamento alemão rejeitou uma proposta do Partido Verde que buscava acabar com a isenção fiscal para ganhos obtidos com a venda de Bitcoin, Ethereum e outros ativos digitais mantidos por mais de 12 meses. Segundo a BeInCrypto, a regra atual permanece intacta: quem compra criptomoedas e as mantém por pelo menos um ano não paga imposto sobre o lucro na venda, independentemente do valor.

Para contextualizar, essa política alemã é significativamente mais generosa do que a brasileira. No Brasil, qualquer venda de criptomoedas acima de R$ 35 mil por mês está sujeita a imposto de renda, com alíquotas que variam de 15% a 22,5% sobre o ganho de capital, conforme dados públicos da Receita Federal. Não existe isenção por tempo de posse: mesmo que o investidor brasileiro mantenha Bitcoin por dez anos, pagará imposto ao vender acima do limite mensal. A única exceção brasileira é para vendas abaixo de R$ 35 mil no mês, que ficam isentas (mas ainda precisam ser declaradas).

A proposta rejeitada pelo Comitê alemão argumentava que a isenção beneficiava desproporcionalmente investidores de maior renda e reduzia a arrecadação do Estado. O Partido Verde defendia que ganhos com criptomoedas deveriam ser tributados como qualquer outro ativo financeiro, sem privilégios por tempo de posse. A rejeição sinaliza que a maioria parlamentar alemã ainda vê as criptomoedas como uma classe de ativo que merece tratamento diferenciado, possivelmente para estimular inovação e adoção no país (a Alemanha é historicamente um dos maiores mercados europeus de Bitcoin, conforme dados de volume de exchanges).

A decisão ocorre em momento de debate global sobre tributação de ativos digitais. Nos Estados Unidos, ganhos com criptomoedas são tributados como ganhos de capital, com alíquotas que variam conforme o tempo de posse (curto ou longo prazo). Na União Europeia, cada país define sua própria política, criando um mosaico regulatório. A manutenção da isenção alemã pode atrair investidores e empresas de cripto para o país, funcionando como vantagem competitiva dentro do bloco.

📊 Número do Dia

1 ano , Tempo mínimo de posse de criptomoedas para isenção total de impostos na Alemanha, regra mantida pelo parlamento alemão

Por que isso importa

A decisão alemã reforça a fragmentação regulatória global em cripto e destaca o contraste com o Brasil, onde a tributação é mais rigorosa. Para investidores brasileiros, serve como lembrete de que a legislação local exige declaração e pagamento de imposto sobre ganhos acima de R$ 35 mil mensais, sem benefício por tempo de posse. A manutenção da isenção alemã pode influenciar futuros debates sobre política tributária de criptomoedas em outros países, incluindo eventuais revisões no Brasil.


Fonte original: https://beincrypto.com/germany-rejects-crypto-tax-exemption-green-party/

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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