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Irã lança seguro marítimo liquidado em Bitcoin

Irã lança Hormuz Safe, plataforma de seguros marítimos liquidada em Bitcoin para navios no Estreito de Hormuz. Entenda o impacto geopolítico e regulatório.
O Irã anunciou a Hormuz Safe, uma plataforma de seguros marítimos que aceita Bitcoin como forma de pagamento para empresas de navegação que transitam pelo Estreito de Hormuz, segundo reportou o The Defiant em 18 de maio de 2025.

A Hormuz Safe é a primeira plataforma de seguros marítimos do mundo a liquidar apólices integralmente em Bitcoin (a maior criptomoeda do mercado, que funciona como uma moeda digital descentralizada). Conforme reportou o The Defiant, a iniciativa iraniana permite que companhias de navegação obtenham cobertura para travessias pelo Estreito de Hormuz, uma das rotas comerciais mais movimentadas do planeta, por onde passa cerca de 21% do petróleo mundial transportado por mar, segundo dados públicos da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos.

O uso de Bitcoin como meio de liquidação (ou seja, como forma de pagamento final da apólice) contorna o sistema bancário tradicional, dominado pelo dólar e pelas redes de pagamento internacionais como SWIFT. Para o Irã, país sob sanções econômicas severas desde 2018, aceitar Bitcoin representa uma alternativa para operar no comércio internacional sem depender de bancos ocidentais ou da moeda americana. A título de comparação, seria como se uma empresa brasileira conseguisse exportar café sem precisar passar por bancos internacionais ou usar dólares, apenas trocando diretamente com o comprador usando uma moeda digital que nenhum governo controla.

A plataforma Hormuz Safe não detalhou, segundo a fonte, o volume de apólices já contratadas nem o valor médio das coberturas oferecidas. Também não foi informado se a plataforma aceita outras criptomoedas além do Bitcoin ou se há conversão automática para moeda local (o rial iraniano). O que se sabe é que o Irã vem expandindo o uso de criptomoedas em setores estratégicos desde 2020, quando autorizou mineradoras de Bitcoin a operar legalmente no país, aproveitando energia elétrica subsidiada.

Para o investidor brasileiro, a notícia ilustra um fenômeno crescente: o uso de criptomoedas como infraestrutura de pagamento em regiões onde o sistema financeiro tradicional é restrito ou ineficiente. No Brasil, onde o Banco Central desenvolve o Drex (a versão digital do real, controlada pela autoridade monetária), o modelo iraniano representa o extremo oposto, uma aposta em moedas descentralizadas que nenhum governo emite ou controla. Historicamente, países sob sanções econômicas, como Venezuela, Rússia e Coreia do Norte, têm recorrido a criptomoedas para driblar bloqueios financeiros, segundo relatórios da Chainalysis, empresa de análise de blockchain.

O Estreito de Hormuz é um ponto de tensão geopolítica recorrente. Qualquer interrupção no tráfego marítimo ali afeta diretamente o preço global do petróleo e, por consequência, a inflação em economias importadoras como o Brasil. A criação de uma plataforma de seguros que opera fora do sistema financeiro tradicional pode, em tese, reduzir custos operacionais para navios dispostos a aceitar Bitcoin, mas também levanta questões regulatórias: como fiscalizar apólices pagas em criptomoedas? Como garantir conformidade com normas internacionais de combate à lavagem de dinheiro?

No Brasil, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) ainda não regulamentou apólices liquidadas em criptomoedas. A legislação brasileira exige que contratos de seguro sejam denominados em reais, o que tornaria ilegal, por ora, uma plataforma nos moldes da Hormuz Safe operando no país. Para contextualizar, seria como se uma seguradora brasileira tentasse vender um seguro de carro cobrando o prêmio em Bitcoin: a operação esbarraria em normas da Susep e do Banco Central.

📊 Número do Dia

21% , Percentual do petróleo mundial transportado por mar que passa pelo Estreito de Hormuz, rota agora coberta por seguros liquidados em Bitcoin.

Por que isso importa

A Hormuz Safe mostra como criptomoedas podem ser usadas para contornar sanções e operar fora do sistema financeiro tradicional, um precedente que interessa tanto a países sob restrições quanto a empresas que buscam alternativas ao dólar. Para o investidor brasileiro, a notícia reforça o papel do Bitcoin como ativo de utilidade geopolítica, além de reserva de valor, e ilustra os limites regulatórios que ainda impedem modelos semelhantes no Brasil.


Fonte original: https://thedefiant.io/news/markets/iran-hormuz-safe-bitcoin-insurance-platform-3p0r5p

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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