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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Produção de veículos cresce 2,4% em abril

A produção de veículos no Brasil cresceu 2,4% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 238,5 mil unidades, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No acumulado do primeiro quadrimestre, o avanço foi de 4,9%, superando as projeções iniciais do setor.

Trabalhadores com capacetes amarelos verificam sedã laranja em esteira de produção industrial automotiva brasileira
Linha de produção automotiva brasileira registra crescimento na fabricação de veículos em abril.

A indústria automotiva brasileira registrou em abril um crescimento de 2,4% na produção em relação ao mesmo mês de 2025, mesmo com dois dias úteis a menos devido a feriados. Foram fabricadas 238,5 mil unidades no mês, segundo dados divulgados pela Anfavea nesta sexta-feira (8). Embora tenha havido queda de 9,5% em relação a março — explicada pelo calendário mais curto —, o resultado demonstra que o setor mantém trajetória de recuperação.

No acumulado do primeiro quadrimestre, a produção alcançou 872,6 mil veículos, crescimento de 4,9% sobre o mesmo período de 2025. “Isso está acima das projeções da Anfavea. No final do ano projetávamos 3,7% de [crescimento na] produção”, afirmou Igor Calvet, presidente da associação. O desempenho indica que a indústria pode encerrar 2026 com resultados melhores que o esperado, impulsionada pela recuperação da demanda interna.

Vendas batem recorde para abril

Os emplacamentos (vendas de veículos novos registrados) cresceram 19% em abril ante o mesmo mês de 2025, com 248,3 mil unidades comercializadas — o melhor resultado para um mês de abril desde 2014. “Esse é o melhor abril dos últimos 12 anos”, comemorou Calvet. A média diária de emplacamentos chegou a 12,4 mil unidades, a melhor marca do ano. Para entender a dimensão: é como se, a cada dia útil de abril, uma cidade do tamanho de Petrópolis (RJ) comprasse um carro novo para cada dez habitantes.

No acumulado de janeiro a abril, foram emplacados 873,5 mil veículos, aumento de 14,9% sobre os quatro primeiros meses de 2025. Esse ritmo de vendas reflete a combinação de crédito mais acessível, recuperação da renda das famílias e a renovação de frotas represadas durante a pandemia. A título de comparação, a indústria automotiva mexicana — principal concorrente regional do Brasil — cresceu cerca de 8% no mesmo período, segundo dados da Associação Mexicana da Indústria Automotiva (AMIA), ritmo inferior ao brasileiro.

Exportações sofrem com crise argentina

Enquanto o mercado interno celebra, as exportações enfrentam dificuldades. Entre janeiro e abril, foram enviados ao exterior 142,4 mil veículos, recuo de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. Em abril isoladamente, os embarques caíram 11,7% na comparação anual, apesar de terem crescido 8,2% ante março. O principal motivo é a retração do mercado argentino, destino tradicional da produção brasileira.

“O mercado argentino caiu 6% no primeiro quadrimestre de 2026”, informou Calvet. A Argentina, que historicamente absorve cerca de 70% das exportações brasileiras de veículos, enfrenta crise econômica com inflação elevada e queda no poder de compra, reduzindo drasticamente a demanda por automóveis importados. Isso força as montadoras instaladas no Brasil a dependerem ainda mais do mercado doméstico para sustentar a produção.

Caminhões e ônibus ainda patinando

O segmento de veículos pesados (caminhões e ônibus) continua em dificuldades, embora a queda venha diminuindo. Em abril, foram emplacados 8,8 mil caminhões, queda de 5,8% em relação a abril de 2025. No acumulado do ano, os emplacamentos somaram 30,7 mil unidades, recuo de 17,2%. A Anfavea aposta no programa federal Move Brasil — que oferece crédito subsidiado (juros mais baixos que os de mercado) para troca de caminhões antigos — para reverter a tendência.

“O Move Brasil continua ajudando, mas ainda não foi capaz de reverter a queda nas vendas. Essa segunda etapa do programa, que foi recentemente anunciada, vem sim em um bom momento e a gente espera que agora nós consigamos reverter essa queda”, disse Calvet. Já os ônibus tiveram 2.049 unidades emplacadas em abril, queda de 6,9% ante abril de 2025, refletindo a lenta recuperação do transporte coletivo pós-pandemia.

Eletrificação acelera

Os veículos eletrificados (que incluem híbridos, híbridos plug-in e 100% elétricos) bateram novo recorde de participação no mercado brasileiro, alcançando 18,3% do total de vendas em abril. Foram 48,7 mil unidades emplacadas no mês. “Nesse ritmo a Anfavea já está prevendo em torno de 420 mil a 450 mil veículos eletrificados emplacados nesse ano, o que seria um número bastante robusto”, informou Calvet.

Para contextualizar: em 2025, os eletrificados representavam cerca de 12% das vendas. O salto reflete a queda de preços dos modelos importados (especialmente chineses), incentivos fiscais e a crescente oferta de modelos nacionais. A título de comparação, na Europa os veículos eletrificados já representam cerca de 25% das vendas, enquanto na China ultrapassam 35% — o Brasil ainda está atrás, mas avança rapidamente.

📊 Número do Dia

18,3% — Participação recorde dos veículos eletrificados (híbridos e elétricos) nas vendas totais de abril de 2026, ante 12% em 2025

Por que isso importa

Para o consumidor, o crescimento das vendas indica maior oferta de crédito e condições favoráveis para compra de veículos novos, especialmente eletrificados, que se tornam mais acessíveis. Para as montadoras, o desempenho acima das projeções no mercado interno compensa parcialmente a queda nas exportações para a Argentina, mas exige diversificação de destinos. Para o país, a recuperação do setor automotivo — responsável por cerca de 22% do PIB industrial — sustenta empregos e arrecadação, mas a dependência do mercado doméstico e a fragilidade das exportações acendem alerta sobre a vulnerabilidade do setor a choques externos.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/producao-de-veiculos-cresceu-24-em-abril-diz-anfavea