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Azeite gaúcho entre os três melhores do mundo

Produto da Estância das Oliveiras conquista pódio em competição internacional na Turquia, rivalizando com tradicionais produtores mediterrâneos
Produtor sorridente segura garrafa de azeite e certificado de medalha de ouro em concurso internacional, agronegócio
O azeite Signature, produzido em Viamão (RS) pela Estância das Oliveiras, foi eleito um dos três melhores do mundo no Mesopotamia Special Awards, premiação realizada na Turquia que avaliou mais de 500 amostras de 25 países.

O Brasil acaba de conquistar um lugar no pódio mundial da produção de azeite, setor tradicionalmente dominado por países mediterrâneos. O azeite Signature, da Estância das Oliveiras, ficou entre os três melhores do planeta no Mesopotamia Special Awards, competição realizada dentro do Anatolian International Olive Oil Competition (IOOC), na Turquia. No pódio, dividiu espaço com azeites da Itália e da própria Turquia — países com séculos de tradição olivícola.

O extravirgem gaúcho, com acidez de apenas 0,1% (quanto menor, melhor a qualidade), apresenta notas de ervas verdes, maçã e toque de amêndoas. Segundo análises sensoriais, o produto atingiu até 15 notas de sabor diferentes com zero defeito — azeites considerados excelentes costumam chegar a sete notas. O blend reúne três variedades de azeitona: picual, koroneiki e coratina, colhidas na região de Viamão, no Rio Grande do Sul.

O reconhecimento não se limitou ao Signature. O Brasil somou 35 azeites premiados com medalha de ouro e outros cinco com prata na competição turca, reforçando o amadurecimento da produção nacional. A Estância das Oliveiras sozinha conquistou dez medalhas de ouro no evento, com outros rótulos como Coratina e Los Dos também eleitos os melhores em suas categorias.

Preço premium e disponibilidade limitada

O azeite Signature é vendido por R$ 199 diretamente pela Estância das Oliveiras, mas está esgotado — novas unidades só estarão disponíveis a partir de 20 de maio. Em revendedores especializados, como o site Empório do Azeite, o produto é anunciado por R$ 310, refletindo o perfil premium e a produção limitada. Para comparação, azeites extravirgem portugueses ou espanhóis de qualidade similar custam entre R$ 150 e R$ 250 no mercado brasileiro.

Segundo Lucídio Goelzer, fundador da Estância das Oliveiras, o reconhecimento internacional representa a concretização de um projeto de longo prazo. “Quando começamos este projeto, sonhávamos em produzir um azeite honesto, de alta qualidade, que pudesse orgulhar nossa família, nossa terra e o Brasil”, afirmou ao Globo Rural. A propriedade investiu anos em pesquisa de variedades adaptadas ao clima gaúcho e em técnicas de colheita e extração que preservam os compostos aromáticos.

Brasil avança em setor dominado pelo Mediterrâneo

A olivicultura brasileira é recente — as primeiras plantações comerciais datam dos anos 2000 — mas vem ganhando espaço rapidamente. Enquanto a Espanha produz cerca de 1,5 milhão de toneladas de azeite por ano e a Itália 300 mil toneladas, o Brasil ainda está na casa das 1.500 toneladas anuais, segundo dados do setor. A diferença de escala é enorme, mas a qualidade já rivaliza com os tradicionais produtores mediterrâneos.

O clima do sul do Brasil, com invernos frios e verões quentes, mostrou-se adequado para variedades específicas de oliveira. O Rio Grande do Sul concentra cerca de 80% da produção nacional, seguido por Minas Gerais e São Paulo. A título de comparação, Portugal — país com área semelhante à do Rio Grande do Sul — produz cerca de 140 mil toneladas anuais, mostrando o potencial de crescimento do setor brasileiro.

📊 Número do Dia

15 notas de sabor , Número de notas sensoriais identificadas no azeite Signature, mais do que o dobro dos sete sabores típicos de azeites considerados excelentes

Por que isso importa

O reconhecimento internacional do azeite brasileiro abre caminho para a consolidação de um novo setor agrícola de alto valor agregado no país. Para produtores rurais, representa uma alternativa de diversificação em regiões com clima adequado. Para consumidores, significa acesso a produtos de qualidade mundial sem depender exclusivamente de importações — que respondem por mais de 95% do consumo nacional. Para o país, é mais um exemplo de como investimento em pesquisa e qualidade pode posicionar produtos brasileiros em mercados premium globais, gerando empregos e divisas.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/06/com-notas-de-ervas-verdes-e-maca-azeite-gaucho-entra-para-lista-dos-tres-melhores-do-mundo-saiba-quanto-custa-e-onde-comprar.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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