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Banco Central corta Selic para 14,5% ao ano

Decisão unânime do Copom marca segundo corte consecutivo, mas guerra no Oriente Médio pressiona inflação acima da meta
Profissional em escritório apontando para gráfico com taxa Selic caindo de 15% para 14,5%, política monetária brasileira
O Banco Central reduziu a taxa Selic (o juro básico da economia brasileira) em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, em decisão unânime do Copom nesta terça-feira (29). É o segundo corte consecutivo após meses de juros em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

O Banco Central reduziu a taxa Selic (o juro básico que o governo usa para controlar a inflação) em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, em decisão unânime do Copom nesta terça-feira (29). É o segundo corte consecutivo após meses de juros em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. A decisão era esperada pelo mercado financeiro, segundo a Agência Brasil.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou travada em 15% ao ano. O Copom (Comitê de Política Monetária, grupo de diretores do BC que decide os juros) voltou a cortar na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços de combustíveis e alimentos, dificulta o trabalho da autoridade monetária. É como se o BC estivesse tentando baixar a febre do paciente enquanto uma nova infecção surge.

Inflação acima da meta

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que acompanha o custo de vida das famílias brasileiras). A prévia da inflação oficial acelerou para 0,89% em abril, segundo o IPCA-15. No acumulado de 12 meses, o índice subiu para 4,37%, contra 3,9% em março.

Pelo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Ou seja, o limite superior é 4,5%. As previsões do mercado estão pessimistas: segundo o boletim Focus (pesquisa semanal com bancos e consultorias), a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,86%, acima do teto da meta. Antes da guerra no Oriente Médio, as estimativas estavam em 3,95%.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em março, o Banco Central elevou de 3,5% para 3,6% a previsão do IPCA em 2026, mas a estimativa será revista por causa do comportamento do dólar e da inflação. Em nota, o Copom não deu pistas sobre a evolução dos juros e informou que está monitorando a guerra e seus efeitos sobre a inflação.

Comparação internacional

A taxa brasileira de 14,5% ao ano permanece entre as mais altas do mundo, especialmente quando se desconta a inflação. A título de comparação, os Estados Unidos mantêm sua taxa básica entre 4,25% e 4,5% ao ano, enquanto a zona do euro opera com juros em 2,5%. Mesmo entre emergentes, o Brasil se destaca: o México opera com 9,5% e a África do Sul com 7,5%, segundo dados públicos dos respectivos bancos centrais.

Crédito e crescimento

A redução da Selic barateia o crédito e estimula a produção e o consumo, mas dificulta o controle da inflação. Funciona assim: quando os juros caem, fica mais barato para empresas tomarem empréstimos para investir e para famílias financiarem compras. Por outro lado, com dinheiro mais barato circulando, os preços tendem a subir. O mercado projeta crescimento de 1,85% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de tudo que o país produz) em 2026, segundo o boletim Focus. O Banco Central mantém previsão mais conservadora, de 1,6%.

A reunião do Copom ocorreu com três cadeiras vazias. Os mandatos de dois diretores expiraram no fim de 2025 e o presidente Lula ainda não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso. Um terceiro diretor se ausentou por motivo de luto.

📊 Número do Dia

14,5% — Nova taxa Selic, após corte de 0,25 ponto percentual. É o segundo corte consecutivo, mas ainda uma das taxas de juros reais mais altas do mundo.

Por que isso importa

Para o cidadão, juros menores significam crédito mais barato para financiamentos de casa, carro e consumo, mas também risco de inflação mais alta, que corrói o poder de compra. Para empresas, o custo do capital cai, facilitando investimentos, mas a inflação acima da meta (prevista em 4,86% pelo mercado) pode forçar o BC a reverter o ciclo de cortes. Para investidores, a Selic ainda elevada mantém a renda fixa atrativa, mas a incerteza sobre a trajetória futura dos juros aumenta a volatilidade nos mercados.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/banco-central-reduz-juros-basicos-para-145-ao-ano

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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