O governo Lula prepara o relançamento do programa de combate ao roubo de celulares, desta vez apostando na integração de dados com as polícias estaduais. A nova fase, que deve ser lançada nas próximas semanas, segundo O Globo, mira na identificação, bloqueio e devolução de aparelhos roubados. A falta de cooperação com os estados é considerada o principal gargalo das iniciativas anteriores, como o aplicativo Celular Seguro, lançado em 2023.
O tema ganhou prioridade no Palácio do Planalto por razões políticas e práticas. Pesquisa Datafolha mostrou que 60% dos brasileiros evitam usar o celular na rua por medo de assalto — um temor que atravessa todas as classes sociais. Com aprovação de 43% e desaprovação de 52% (Quaest, abril), o governo busca uma bandeira popular na segurança pública às vésperas do período eleitoral.
Os números justificam a preocupação. Em 2024, foram roubados ou furtados 850.804 celulares no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025. Embora represente queda de 12,6% em relação ao ano anterior, o volume equivale a mais de 2.300 aparelhos por dia — como se uma cidade do tamanho de Palmas (TO) perdesse todos os seus celulares em um ano.
O modelo do Piauí
A inspiração para a nova fase vem do Piauí, que reduziu o crime em 29,7% com um banco de dados integrado de IMEIs (o número de identificação único de cada aparelho, como se fosse o CPF do celular). O estado alcançou a melhor taxa do país: 2,7 celulares roubados para cada um recuperado. A experiência é comandada por Chico Lucas, hoje secretário nacional de Segurança, que trouxe o modelo para o governo federal.
A nova estratégia envolverá Ministério das Comunicações, Anatel e operadoras de telefonia. Uma das novidades é que pessoas que comprarem celulares roubados receberão notificações para devolvê-los. O governo também busca uma solução tecnológica que ative mecanismo de localização, bloqueie o aparelho e avise as autoridades automaticamente.
Comparação internacional
A título de comparação, países como Reino Unido e Austrália já operam bancos de dados nacionais de IMEIs há mais de uma década, com taxas de recuperação superiores a 30%. No Brasil, o aplicativo Celular Seguro cadastrou 4 milhões de CPFs, mas bloqueou apenas 238.665 aparelhos — taxa de uso de cerca de 6%, considerada insuficiente pelo próprio governo.
Estratégia eleitoral
A iniciativa integra um movimento mais amplo de Lula para adotar tom mais duro contra o crime. Segundo O Globo, o entorno do presidente admite a necessidade de fazer uma “correção histórica” e diferenciar o criminoso organizado do ladrão de celular, em resposta a fake news da campanha de 2022 que atribuiu ao petista a defesa de que ladrões roubam para “tomar uma cervejinha”.
📊 Número do Dia
850.804 , celulares roubados ou furtados no Brasil em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública — queda de 12,6% em relação ao ano anterior
Por que isso importa
Para o cidadão, a nova fase pode significar maior chance de recuperar o celular roubado e reduzir o medo de usar o aparelho na rua — temor que afeta 6 em cada 10 brasileiros. Para o governo, é uma aposta política para melhorar a popularidade em ano pré-eleitoral, mirando o tema que mais preocupa a população em violência urbana. Para quem compra celular usado, há risco de receber notificação para devolver aparelho roubado.












