O Brasil enfrenta uma crise silenciosa de saúde mental no ambiente de trabalho. Segundo dados da Previdência Social, o país registrou 546.254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025 — um crescimento de 15,6% em relação aos 472.328 casos de 2024. Para dimensionar: é como se a população inteira de Curitiba precisasse se afastar do trabalho por problemas psicológicos em apenas um ano.
Os transtornos de ansiedade e os episódios depressivos lideram as causas dos afastamentos. As mulheres são as mais afetadas, representando 63% dos casos — uma proporção que reflete tanto a maior vulnerabilidade feminina a certos transtornos quanto, possivelmente, uma maior disposição para buscar ajuda médica. Ansiedade, neste contexto, refere-se a um estado de preocupação excessiva e persistente que interfere nas atividades diárias, enquanto depressão envolve tristeza profunda, perda de interesse e alterações no sono e apetite.
O peso das jornadas prolongadas
Especialistas apontam que a forma como o trabalho é organizado no Brasil contribui diretamente para o adoecimento mental. “Quando falamos de saúde mental no trabalho, também precisamos discutir como as jornadas são organizadas”, afirma o líder sindical Maurício Briquinho, segundo reportagem do O Globo. Jornadas prolongadas, pressão excessiva por resultados e a falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal aparecem como fatores centrais.
Ricardo Antunes, sociólogo do trabalho e professor titular da Unicamp, destaca que as transformações recentes nas relações de trabalho — como a intensificação do ritmo e a insegurança no emprego — têm agravado a sobrecarga psicológica dos trabalhadores. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a importância da identificação e gestão de riscos psicossociais, incluindo fatores como pressão excessiva e jornadas extenuantes.
Comparação internacional
A título de comparação, países europeus como França e Alemanha têm investido em políticas de prevenção ao burnout (esgotamento profissional) há mais de uma década, com jornadas de trabalho mais curtas e maior fiscalização das condições laborais. No Brasil, o debate sobre saúde mental no trabalho ainda é recente, mas os números crescentes de afastamentos indicam urgência na adoção de medidas preventivas.
📊 Número do Dia
546.254 , afastamentos do trabalho por transtornos mentais registrados no Brasil em 2025, alta de 15,6% ante 2024
Por que isso importa
Para as empresas, o aumento dos afastamentos representa custos diretos com substituição de funcionários e perda de produtividade, além de possíveis passivos trabalhistas. Para o trabalhador, significa maior vulnerabilidade à perda de renda e agravamento de condições de saúde. Para o sistema previdenciário, a tendência crescente pressiona os gastos públicos com benefícios por incapacidade. O cenário exige atenção redobrada a políticas de prevenção, melhoria das condições de trabalho e equilíbrio entre vida profissional e pessoal — temas que devem ganhar espaço na agenda corporativa e regulatória nos próximos anos.
Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/04/24/brasil-registra-546254-afastamentos-por-saude-mental-1.ghtml












