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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Brasil mais protegido contra choques externos, diz Itaú

A economia brasileira está mais preparada para enfrentar choques externos do que no passado, segundo análise do Itaú divulgada nesta quarta-feira (19). A taxa Selic elevada e o superávit em petróleo na balança comercial funcionam como amortecedores diante da guerra no Oriente Médio.

Estrutura geodésica transparente protegendo paisagem verde com rio, simbolizando proteção econômica resiliente
Imagem conceitual representa proteção contra instabilidades externas na economia brasileira.

O Brasil construiu dois escudos econômicos que ajudam a proteger o país de turbulências internacionais. Segundo análise do Itaú publicada pela Folha de S.Paulo, a taxa Selic (o juro básico da economia, que hoje está em patamar elevado) e o superávit em petróleo (quando o país exporta mais petróleo do que importa) formam uma dupla de proteção contra os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira.

A lógica é simples: quando há conflitos em regiões produtoras de petróleo, o preço do barril costuma subir no mercado internacional — o que encarece combustíveis, pressiona a inflação e pode desvalorizar a moeda de países importadores. Contudo, o Brasil, que hoje vende mais petróleo do que compra, acaba se beneficiando dessa alta de preços, compensando parte dos efeitos negativos. Ou seja, é como se o país tivesse um seguro: quando o petróleo fica mais caro lá fora, o Brasil recebe mais dólares pelas suas exportações.

O papel do juro alto

A Selic elevada, por sua vez, funciona como um ímã para investidores estrangeiros. De fato, juros altos tornam os títulos públicos brasileiros mais atraentes, o que ajuda a segurar o dólar e evita uma fuga de capitais em momentos de crise global. Embora essa taxa encareça o crédito para empresas e consumidores no Brasil, ela cria uma barreira contra a volatilidade externa — sobretudo importante quando mercados globais entram em pânico.

A título de comparação, países emergentes importadores de petróleo, como Turquia e Índia, sofrem duplamente em cenários de conflito no Oriente Médio: pagam mais caro pela energia e ainda enfrentam fuga de capitais. Por outro lado, o Brasil, neste momento, está do outro lado da equação.

Contexto histórico

A mudança de posição do Brasil na balança petrolífera é relativamente recente. Anteriormente, até meados da década de 2010, o país ainda importava volumes significativos de petróleo refinado. Posteriormente, o avanço da produção no pré-sal inverteu essa equação: hoje, o Brasil é exportador líquido, com superávit robusto no setor. Dessa forma, segundo dados públicos da balança comercial, as exportações de petróleo e derivados superam as importações em bilhões de dólares anualmente.

📊 Número do Dia

2 escudos — Selic alta e superávit em petróleo protegem o Brasil de choques externos, segundo o Itaú

Por que isso importa

Para o cidadão, portanto, essa proteção significa que os efeitos da guerra sobre a inflação e o preço dos combustíveis podem ser menores do que seriam no passado. Para o investidor, além disso, sinaliza que o Brasil tem mais resiliência diante de crises globais, o que reduz o risco de desvalorização abrupta do real. Por conseguinte, para empresas, especialmente as ligadas ao setor de energia, o cenário reforça a importância estratégica do pré-sal como ativo de proteção econômica.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/selic-alta-e-superavit-de-petroleo-ajudam-a-amortecer-impacto-economico-da-guerra-diz-itau.shtml