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sexta-feira, 7 de agosto de 2026 Brasil

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Brasil contrata 19 mil MW em leilão histórico de energia

O Brasil realizou nesta quarta-feira (18) o maior leilão de energia térmica de sua história. O certame contratou 18,9 mil megawatts de potência instalada, com investimentos de R$ 64 bilhões e economia estimada de R$ 33,6 bilhões.

Engenheiros e trabalhadores com uniformes de segurança posam ao lado de grande pá de turbina eólica na praia, energia renovável
Equipe técnica apresenta componente de turbina eólica em projeto de energia limpa no litoral brasileiro.

O leilão de reserva de capacidade realizado nesta quarta-feira (18) marcou um ponto de virada na segurança energética brasileira. Dessa forma, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo Ministério de Minas e Energia e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o certame teve 100 vencedores, com uma potência instalada de 29,7 mil megawatts e contratada de 18,9 mil megawatts. Por conseguinte, a receita total gerada foi de R$ 515,7 bilhões, com investimentos de R$ 64 bilhões e economia de R$ 33,6 bilhões, segundo informações da Agência Brasil.

Para entender a dimensão desses números: megawatt (MW) é a unidade que mede a capacidade de geração de energia de uma usina — mil megawatts equivalem a um gigawatt (GW), potência suficiente para abastecer cerca de 500 mil residências. Além disso, o leilão contratou potência de usinas hidrelétricas (que geram energia a partir da força da água) e termelétricas a carvão e gás natural (que queimam combustíveis para produzir eletricidade). Por outro lado, as termelétricas funcionam como um seguro: são acionadas quando as hidrelétricas não conseguem suprir a demanda, especialmente em horários de pico, como o início da noite, quando todos ligam luzes, chuveiros e aparelhos ao mesmo tempo.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou o dia como “histórico” e afirmou que o problema de potência do sistema energético brasileiro fica solucionado pelos próximos dez anos. Portanto, segundo o ministro, contratar térmicas em leilão público, com custo fixo negociado, é muito mais barato do que acioná-las de forma emergencial — quando o governo precisa pagar o preço que o mercado exige no momento de aperto. De fato, é como a diferença entre contratar um seguro de carro com antecedência ou pagar por um guincho de emergência na estrada: o planejamento sempre sai mais em conta.

O leilão ocorreu em momento delicado no mercado global de energia. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, a rota de exportação de petróleo mais importante do mundo, elevando os preços dos combustíveis. Por isso, esse contexto torna ainda mais relevante a contratação antecipada de energia no Brasil, protegendo o país de oscilações bruscas nos custos. Sobretudo, a título de comparação, países europeus enfrentaram crises energéticas severas em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, com aumentos de até 300% nas tarifas residenciais — situação que o Brasil busca evitar com esse tipo de planejamento.

Os números do leilão

O preço-teto (valor máximo que o governo aceita pagar) para termelétricas novas foi fixado em R$ 2,9 milhões por MW/ano, enquanto para usinas existentes ficou em R$ 2,25 milhões por MW/ano. Da mesma forma, para hidrelétricas, o teto foi de R$ 1,4 milhão por MW/ano. Ou seja, esses valores representam quanto o governo pagará anualmente por cada megawatt de capacidade disponível, independentemente de a usina estar gerando energia ou não — é como pagar um aluguel pela garantia de que o imóvel estará disponível quando você precisar.

Ao todo, 330 projetos se inscreveram para o leilão, totalizando 120.386 MW de capacidade. O certame teve sete rodadas, com descontos (deságios) que variaram de 0,36% a 16,27% sobre os preços-teto, dependendo do produto e do ano de início do fornecimento. Por exemplo, a maior concorrência ocorreu para os produtos com entrega em 2031, quando o deságio chegou a 16,27% para termelétricas — sinal de que muitas empresas querem participar desse mercado.

O fornecimento das térmicas será de dez anos e o das hidrelétricas, de 15 anos. Em seguida, um terceiro leilão está previsto para sexta-feira (20), voltado para termelétricas movidas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. O ministro Silveira afirmou acreditar que este seja um dos últimos leilões de energia não-renovável (aquela que usa combustíveis fósseis, como carvão e gás) contratado pelo governo, sinalizando uma transição gradual para fontes mais limpas.

Contexto internacional

A estratégia brasileira de contratar capacidade energética com antecedência contrasta com experiências recentes de outros países. Na Califórnia (EUA), a falta de planejamento levou a apagões em 2020, quando ondas de calor elevaram a demanda e o estado não tinha usinas de reserva suficientes. Anteriormente, no Brasil, o primeiro leilão desse tipo havia sido realizado em 2021, quando 4,6 gigawatts foram contratados — valor equivalente a um terço da geração da usina de Itaipu, a segunda maior hidrelétrica do mundo.

A Abrace Energia, associação que representa grandes consumidores industriais, defendeu a realização do leilão mas alertou para os custos. Segundo a entidade, se a contratação atingisse 10 GW, o impacto tarifário seria de R$ 45 por megawatt-hora (MWh); com 15 GW, subiria para R$ 67/MWh. Assim, para referência, a tarifa média residencial no Brasil gira em torno de R$ 500/MWh — portanto,