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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Carta da Redação : A Semana da Economia

Quando o Estreito de Ormuz fecha para alguns, o diesel brasileiro sobe para todos. A semana em que a geopolítica do petróleo cobrou sua conta.

Executivo de terno assinando documentos em mesa de reunião em escritório corporativo com vista panorâmica urbana
Líder empresarial trabalha em documentos estratégicos em ambiente corporativo de alto padrão.

Curiosamente, a semana em que o mundo descobriu que o Estreito de Ormuz pode fechar para alguns mas não para todos foi a mesma em que o brasileiro viu o diesel subir na bomba.

Leitura da Semana

A Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de 400 milhões de barris das reservas emergenciais de petróleo, uma medida que só acontece quando o mercado global está genuinamente nervoso. Por outro lado, o Irã informou que o Estreito de Ormuz está aberto para todos, exceto Estados Unidos e Israel, uma declaração que soa quase educada até você lembrar que por ali passa um terço do petróleo mundial. Enquanto isso, o governo Trump admitiu que a guerra no Oriente Médio ainda deve durar semanas e que não há garantias para o mercado de petróleo. Portanto, a tradução é clara: preparem-se para volatilidade.

No Brasil, por sua vez, a Petrobras atribuiu o aumento do diesel precisamente a essa guerra, e o dólar fechou a semana em R$ 5,32, o maior valor desde janeiro. De fato, a matemática é simples: petróleo mais caro em dólar + dólar mais caro em real = diesel mais caro na bomba. Assim, o vice-presidente Alckmin garantiu que o governo prioriza o abastecimento e quer evitar alta do diesel, enquanto a FUP (Federação Única dos Petroleiros) aproveitou para lembrar que o reajuste mostra as limitações do mercado brasileiro. Contudo, a ironia é que privatizar a Petrobras era para nos proteger da política, mas não nos protege da geopolítica.

Em meio a tudo isso, no entanto, Haddad estimou que a economia brasileira pode crescer 1% no primeiro trimestre. Não é espetacular, mas também não é catastrófico, especialmente considerando que o mundo está literalmente em chamas (ou seja, pelo menos o Oriente Médio está). Além disso, o governo também levantou R$ 179 bilhões desde 2023 para transição ecológica e autorizou R$ 2 bilhões em obras de infraestrutura no Paraná. Dessa forma, são números que sugerem planejamento, investimento, continuidade, palavras que o mercado adora, mesmo quando pronunciadas em meio ao caos.

Perspectiva & Olhar da Redação

O que essa semana nos ensina é que a economia brasileira está cada vez mais integrada ao mundo, para o bem e para o mal. Por exemplo, quando o Irã espirra no Estreito de Ormuz, o caminhoneiro brasileiro sente na carteira. Por isso, não adianta ter a melhor política fiscal do hemisfério se um conflito a 12 mil quilômetros de distância pode derrubar tudo. É a globalização funcionando exatamente como prometido: eficiente, interconectada e absolutamente imprevisível.

Mas há um lado positivo nessa história toda. Em contrapartida, o Brasil está crescendo, devagar, mas crescendo. Sobretudo, o governo está investindo em infraestrutura e transição ecológica. O dólar subiu, sim, mas não explodiu. Da mesma forma, a Petrobras reajustou o diesel, mas o abastecimento está garantido. Portanto, são pequenas vitórias em meio a uma tempestade global. Não é motivo para comemorar, mas também não é motivo para desespero.

A questão é: até quando conseguimos navegar nesse mar agitado sem molhar os pés? Visto que o Brasil tem mostrado resiliência, a economia cresce mesmo com o mundo pegando fogo, o mercado se ajusta sem entrar em pânico, o governo mantém o planejamento mesmo sob pressão. Contudo, resiliência tem limite. E o Oriente Médio, aparentemente, não.

Afinal, o que é mais previsível: a economia brasileira ou a geopolítica do petróleo?

Vitor Ribeiro
Correio Capital