Contudo, o avanço mensal não foi suficiente para reverter a trajetória negativa do setor. Pressionada por juros elevados e desaceleração da demanda, a indústria de transformação enfrenta seu quinto mês consecutivo de retração quando comparada ao mesmo período do ano anterior. Da mesma forma, as horas trabalhadas na produção subiram apenas 0,5% no mês, mas caíram 2,6% no comparativo anual.
Por outro lado, o emprego industrial apresentou sinais tímidos de recuperação. Dessa forma, o número de trabalhadores cresceu 0,5% em janeiro, interrompendo quatro meses seguidos de queda, porém permanece 0,2% abaixo do nível de janeiro de 2025. Além disso, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) ficou praticamente estável em 77,6%, ainda 1 ponto percentual inferior ao registrado no início de 2025.
A título de comparação, a indústria alemã — maior economia industrial da Europa — também enfrenta desafios, mas com UCI historicamente acima de 80% em períodos de normalidade. Em contrapartida, o Brasil opera com capacidade ociosa significativa, sinalizando espaço para crescimento caso as condições de crédito melhorem.
Segundo Larissa Nocko, especialista da CNI, os juros elevados, o alto custo do crédito e a forte entrada de bens importados continuam penalizando o setor. Por isso, a entidade espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie o ciclo de corte da Selic na reunião deste mês, no entanto avalia que o patamar ainda permanecerá restritivo no curto prazo.
No mercado de trabalho, a massa salarial real avançou 1% em janeiro ante dezembro e 0,4% no ano, enquanto o rendimento médio ficou praticamente estável no mês, com alta de 0,7% na comparação anual.
📊 Número do Dia
-9,7% — Queda no faturamento da indústria de transformação em janeiro de 2026 comparado a janeiro de 2025
Por que isso importa
Para o cidadão, de fato, a retração industrial sinaliza menor geração de empregos e pressão sobre salários no setor, que emprega milhões de brasileiros. Para empresas, por sua vez, a capacidade ociosa de 22,4% indica ambiente desafiador para investimentos, com demanda fraca e crédito caro. Portanto, investidores devem acompanhar o início do ciclo de corte de juros pelo Copom, que pode aliviar gradualmente as condições financeiras, mas com efeitos limitados no curto prazo dado o patamar ainda elevado da Selic.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/faturamento-da-industria-sobe-23-em-janeiro-mas-esta-abaixo-de-2025












