A agenda econômica apresentada por De Toni reúne duas intenções que precisam funcionar em conjunto: enxugar a administração pública e reduzir a cobrança de tributos. À Revista Oeste, ela defendeu uma reforma administrativa e a revisão da reforma tributária. Trata-se de uma posição para o futuro mandato, não de medidas aprovadas ou de economia já obtida.
Menos impostos dependem de espaço no orçamento
O vínculo entre despesas e tributação é o ponto central da proposta. Se o governo reduzir receitas sem diminuir gastos nem encontrar outra compensação, a diferença pode ampliar o déficit, situação em que as despesas superam as receitas. Financiar essa diferença com dívida transfere compromissos para os orçamentos seguintes.
Por isso, uma redução duradoura de impostos exige olhar para despesas recorrentes, aquelas que voltam a cada exercício. Uma economia temporária pode abrir espaço para um alívio pontual, mas não sustenta, sozinha, uma redução permanente da arrecadação. Para empresas e consumidores, essa distinção importa: a continuidade do benefício influencia decisões de investimento e consumo.
A entrevista não apresenta valores de economia, despesas específicas a cortar ou o desenho da redução tributária defendida. Assim, o compromisso documentado é uma direção política. Ainda não permite calcular quanto contribuintes poderiam deixar de pagar nem quais serviços ou estruturas administrativas seriam afetados.
Indenizações também entram na conta
Na mesma entrevista, De Toni defendeu anistia ampla aos condenados pelo 8 de Janeiro e indenizações às suas famílias. Essa defesa não equivale à criação de um pagamento. Caso uma medida desse tipo seja aprovada e executada com recursos públicos, porém, ela acrescentará uma despesa ao orçamento que a parlamentar pretende reduzir.
Não há contradição automática entre defender um Estado menor e propor determinado gasto. A questão econômica é a escolha: quais despesas seriam preservadas, quais perderiam recursos e como financiar uma nova obrigação. Cortar estruturas não significa necessariamente cortar custos na mesma proporção, sobretudo se houver novas despesas no caminho.
A proposta de De Toni será fiscalmente consistente se a economia efetiva comportar tanto o alívio tributário quanto os compromissos de gasto que ela apoiar. É essa compatibilidade, e não apenas a defesa de menos Estado, que determina se a redução de impostos poderá durar sem ampliar o endividamento.
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Por que isso importa
Reduzir impostos pode aliviar o orçamento de empresas e consumidores, mas a sustentação desse alívio depende de compatibilizar a perda de arrecadação com despesas e novas obrigações públicas.
Fonte original: https://revistaoeste.com/politica/de-toni-so-apoiarei-um-presidente-do-senado-que-pautar-o-iimpeachment-i-de-moraes/
