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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Inadimplência pressiona bancos e pode restringir novos empréstimos

Os maiores bancos devem apresentar resultados mais fracos no terceiro trimestre de 2026, segundo analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo. A temporada de balanços começa em 22 de outubro, com o Bradesco, sob expectativa de maior custo com perdas em empréstimos.

Inadimplência elevada deve pressionar o lucro dos bancos no terceiro trimestre de 2026 e pode tornar mais seletiva a concessão de crédito a famílias e empresas.

O sinal mais concreto da pressão vem dos pagamentos atrasados. Em agosto, dado mais recente do Banco Central citado pela Folha de S.Paulo, 5,04% do crédito do sistema financeiro estava com atraso superior a 90 dias, recorde da série iniciada em 2011. Entre pessoas físicas, a proporção chegava a 6,03%, também recorde. Nas empresas, era de 3,35%, o maior nível desde 2017.

O atraso pesa antes da perda definitiva

Quando cresce a possibilidade de um empréstimo não ser pago, o banco precisa reconhecer esse risco no balanço. Isso ocorre por meio da provisão contra devedores duvidosos, conhecida como PDD: um registro contábil para cobrir perdas previstas. Mais provisões reduzem o lucro do período, mesmo que parte dos pagamentos ainda possa ser recuperada.

Há uma distinção importante nessa conta. Segundo análise do Goldman Sachs relatada pela Folha, parte da piora esperada decorre da mudança contábil da regulação 4966 do Banco Central, que exige calcular provisões com base na perda esperada, e não na perda já ocorrida. Assim, o impacto nos balanços combina deterioração do crédito e antecipação do reconhecimento de riscos.

Emprestar menos protege, mas limita a receita

Especialistas esperam que os bancos privados tenham reduzido o ritmo de empréstimos entre julho e setembro. A lógica é defensiva: selecionar mais os clientes pode evitar novas operações com elevada chance de atraso. A contrapartida é abrir mão de negócios que poderiam gerar receita. Esse efeito se soma às provisões e ajuda a explicar a pressão projetada sobre os ganhos.

A exposição de cada instituição faz diferença. O BTG Pactual considera o Itaú mais resistente nesse cenário pela qualidade da carteira e pela prioridade a clientes com menor risco de calote. Já baixa renda e pequenas e médias empresas aparecem, na avaliação dos analistas, como segmentos que podem exigir provisões maiores de bancos mais expostos a eles.

Para famílias e empresas que precisam de financiamento, a consequência possível é uma seleção mais rigorosa. Se os atrasos continuarem elevados, preservar a qualidade da carteira pode significar menos disposição para conceder novos empréstimos. A cautela protege o banco de perdas futuras, mas pode limitar o acesso ao crédito justamente quando a capacidade de pagamento dos clientes está pressionada.

📊 Número do Dia

5,04% : Parcela do crédito do sistema financeiro com atraso superior a 90 dias em agosto de 2026, segundo dados do Banco Central citados pela Folha.

Por que isso importa

A inadimplência elevada pode reduzir o lucro dos bancos e tornar a concessão de empréstimos mais seletiva, afetando o acesso de famílias e empresas ao financiamento.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/financas/2026/10/bancos-vao-apresentar-resultados-mais-fracos-no-3o-tri-com-inadimplencia-em-alta.shtml