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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Disputa da Totvs atrai fundo, mas não garante crédito

Uma disputa judicial entre a Totvs e sua ex-terceirizada Sogem atraiu um fundo da Algarve Capital, cogerido pelo Itaú Asset, segundo a Folha de S.Paulo em reportagem publicada em 19 de outubro de 2026. A operação mira direitos econômicos comprados pela EvidJuri, escritório de perícias judiciais, em caso de vitória da Sogem.

Disputa entre Totvs e Sogem atrai fundo de investimento. Os R$ 500 milhões são valor calculado da causa, não crédito reconhecido ou condenação definitiva.

Os R$ 500 milhões associados à disputa são o valor atualizado da causa calculado pela Sogem, com juros, correção monetária e encargos. O valor inicial era de R$ 69 milhões. Conforme a coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo, o montante atualizado não representa condenação definitiva nem crédito reconhecido. Essa diferença é central para compreender o investimento: o ativo negociado depende de um resultado judicial.

Uma disputa de 17 anos ainda depende de perícia

A Sogem, que não atua mais no mercado, representava comercialmente a RM Sistemas na região de Campinas, vendendo soluções de software de gestão empresarial. A RM foi adquirida pela Totvs em 2007. Na ação, a Sogem alega que, depois da aquisição, a Totvs alterou unilateralmente o modelo de negócios, bloqueou repasses de vendas e centralizou a carteira regional de clientes, causando prejuízos à representante.

O processo dura cerca de 17 anos e está sob julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a reportagem, em 2026 a corte decidiu pela realização de perícia técnica para calcular a indenização e apontar a responsabilidade pela rescisão contratual. São questões que afetam tanto a possibilidade de recebimento quanto seu valor.

O preço do direito incorpora risco e espera

Comprar um direito econômico não equivale a receber dinheiro disponível. O comprador passa a ter exposição ao resultado previsto no contrato. Para avaliar quanto pagar, precisa considerar a chance de êxito, o montante que poderá ser reconhecido e o tempo até o pagamento. Se a espera se alonga, o capital permanece comprometido por mais tempo, sem poder ser usado em outras oportunidades.

A Folha informa que a remuneração pelo investimento na ação combina um valor inicial com uma parcela dependente do resultado. A EvidJuri também vende a investidores parte dos honorários que espera receber, com desconto variável conforme o risco do processo e o prazo previsto para pagamento. A coluna não obteve o valor do investimento ligado à disputa com a Totvs.

Esse tipo de negociação pode antecipar recursos ao vendedor e transferir parte do risco ao investidor. Mas o desconto só será compensador para quem compra se o recebimento efetivo remunerar a espera e as perdas possíveis. Na disputa com a Totvs, o interesse do fundo transforma uma expectativa judicial em oportunidade de investimento, não em obrigação definitiva de pagamento.

📊 Número do Dia

R$ 500 milhões : Valor atualizado da causa calculado pela Sogem, informado em outubro de 2026, incluindo juros, correção monetária e encargos. Não é condenação definitiva nem crédito reconhecido.

Por que isso importa

A negociação de direitos judiciais pode antecipar recursos ao vendedor, mas transfere ao investidor riscos de resultado e de prazo. O valor atribuído à causa não equivale ao dinheiro que será recebido.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/10/disputa-de-r-500-milhoes-envolvendo-a-totvs-atrai-fundo-de-investimento.shtml