A VEJA relata um descompasso curioso no comportamento do viajante brasileiro às vésperas da alta temporada: a busca por proteção cresceu de forma expressiva, com alta de 97,6% nas cotações de seguro viagem em setembro, mas a decisão de compra permanece concentrada nos últimos dias antes da partida, cerca de seis dias antes do embarque. Os Estados Unidos aparecem como principal destino para dezembro e janeiro.
Cotar não é contratar
A distinção é econômica, não semântica. Uma cotação é apenas consulta de preço, um sinal de interesse. A contratação é o momento em que o consumidor aceita pagar hoje para transferir a outra parte um risco futuro e incerto. O salto de 97,6% nas cotações em setembro indica aumento de atenção ao tema, mas não comprova, por si só, aumento proporcional de apólices efetivamente vendidas. Confundir uma coisa com a outra é o erro mais comum na leitura desse tipo de dado.
Por que a decisão fica para o fim
O seguro é um produto peculiar: paga-se por algo que o comprador torce para nunca usar. Isso o coloca em desvantagem na disputa pelo orçamento da viagem contra passagens, hospedagem e passeios, que entregam benefício visível e imediato. Como o custo do seguro costuma ser pequeno diante do pacote total, ele vira item residual, resolvido quando já não há mais o que adiar. Soma-se a isso um viés comportamental conhecido: as pessoas tendem a subestimar a probabilidade de eventos raros e negativos até que a data se aproxime e o risco se torne concreto.
O custo de adiar
Deixar a contratação para a última hora tem consequências práticas. Reduz o tempo de comparação entre apólices, o que enfraquece a pressão competitiva que normalmente favorece o consumidor. E encurta a janela de cobertura para eventos que ocorrem antes da viagem, como cancelamentos. Em um mercado em que o comprador decide sob pressão de prazo, a sensibilidade a preço e a qualidade da escolha tendem a cair.
O que o dado sinaliza para a temporada
O crescimento das cotações em setembro, descrito pela VEJA, sugere antecipação do planejamento das férias de fim de ano. Para seguradoras, corretoras e plataformas de viagem, isso representa demanda potencial concentrada em dezembro e janeiro, com destaque para o fluxo rumo aos Estados Unidos. Se essa demanda se converterá em contratos, e em que volume, o material disponível não permite afirmar. O que já está documentado é a assimetria entre interesse e decisão: o brasileiro antecipa a viagem, mas não a proteção.
📊 Número do Dia
97,6% , Crescimento das cotações de seguro viagem em setembro, segundo reportagem da VEJA, enquanto a contratação ocorre em média seis dias antes do embarque.
Por que isso importa
A diferença entre cotar e contratar define quem assume o risco da viagem. Quando a decisão fica para os últimos dias, o consumidor perde tempo de comparação e poder de barganha, e o mercado de seguro viagem opera com demanda comprimida em poucos dias de alta temporada.
Fonte original: https://veja.abril.com.br/economia/brasileiros-antecipam-ferias-de-fim-de-ano-mas-deixam-seguro-viagem-para-a-ultima-hora/
