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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Seguro rural virou despesa obrigatória, mas com trava fiscal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com vetos, lei publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União que torna obrigatória a despesa federal com a subvenção ao seguro rural, reformula o fundo de catástrofe e permite usar a apólice como garantia de crédito, segundo reportagem de O Globo.

Lula sanciona lei que torna obrigatória a subvenção ao seguro rural e reformula fundo de catástrofe, mas obrigatoriedade depende de compensação fiscal indefinida.

O seguro rural cobre prejuízos causados por eventos como secas, enchentes, pragas e doenças, conforme as condições de cada contrato. Para estimular a contratação, o governo federal paga parte do preço da apólice, mecanismo conhecido como subvenção. Essa despesa, até agora sujeita a cortes, passa a ser classificada como obrigatória e protegida do contingenciamento, instrumento pelo qual o Executivo restringe gastos para cumprir metas das contas públicas.

A blindagem que ainda não blinda

A ressalva está no próprio texto. Segundo O Globo, a lei não fixa valor mínimo: a obrigação se limita ao montante previsto na proposta orçamentária enviada pelo Executivo ao Congresso e fica condicionada a medidas de compensação fiscal. Na fase final da tramitação, a bancada ruralista aceitou acordo com o governo para vincular a obrigatoriedade a uma compensação que ainda não foi definida. A reportagem conclui que, por enquanto, a obrigatoriedade é inócua. Há ainda outra amarra: na proposta orçamentária de 2027, o governo condicionou R$ 881,5 milhões dos R$ 1,2 bilhão destinados ao seguro rural, ou 70% da despesa, à aprovação de crédito suplementar pelo Congresso.

Por que previsibilidade vale dinheiro

O mecanismo econômico é simples. Seguro é precificação de risco ao longo do tempo. Se a subvenção pode desaparecer no meio do exercício, produtor e seguradora precisam embutir essa incerteza no cálculo, o que tende a reduzir a área contratada e elevar o custo relativo da proteção. O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, afirmou à publicação que o setor sofreu com o contingenciamento nos últimos anos e que a mudança dá mais segurança ao planejamento. É uma avaliação de entidade representativa, não um resultado observado.

Fundo de catástrofe e crédito

A lei também reformula o fundo de catástrofe, camada adicional de proteção para seguradoras absorverem perdas quando eventos climáticos atingem muitos produtores simultaneamente. Quando estiver em operação, a adesão passa a ser exigida para acessar o programa federal de subvenção. Lucchi compara o instrumento a um colchão de amortecimento que, em sua avaliação, poderia conter repasse de custos ao produtor. A apólice poderá integrar as garantias do crédito rural, com o banco podendo exigir ser o primeiro beneficiário da indenização. A reportagem ressalva que os benefícios de juros, prazos e limites dependerão das regras aplicáveis e não significam queda automática de juros. Foram fixados prazos de até 15 dias para avaliação do prejuízo em certos casos e 30 dias para liquidar o sinistro.

Os vetos e a conta fiscal

Lula vetou a extensão da isenção tributária a todos os tributos federais incidentes sobre a atividade, sob o argumento de que a proposta ampliava benefício fiscal sem estimativa de renúncia nem compensação. Também vetou a compra de Letras de Risco de Seguro pelo fundo, por exposição a riscos de terceiros, segundo a Fazenda. Os vetos vão ao Congresso, e parte da lei ainda depende de regulamentação.

📊 Número do Dia

R$ 881,5 milhões de R$ 1,2 bilhão , Parcela da despesa com seguro rural que o governo condicionou, na proposta orçamentária de 2027, à aprovação de crédito suplementar pelo Congresso, equivalente a 70% do total.

Por que isso importa

Previsibilidade orçamentária é o insumo central de qualquer mercado de seguro. Tornar a subvenção ao seguro rural despesa obrigatória pode melhorar o planejamento de produtores e seguradoras, mas a blindagem depende de uma compensação fiscal ainda indefinida e de crédito suplementar no Congresso. Enquanto isso, a promessa legal convive com a mesma incerteza que pretendia eliminar.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/30/lula-sanciona-lei-que-protege-verba-do-seguro-rural-de-cortes-e-preve-apoio-contra-perdas-climaticas.ghtml