Um atacante que roubou Bitcoin de usuários de carteiras Coldcard movimentou 45% dos fundos subtraídos na terceira onda de ataques, conforme reportou a Cointelegraph com base em dados da Galaxy. Coldcard é uma marca de carteira de hardware (dispositivo físico usado para guardar criptomoedas com segurança, similar a um cofre digital portátil) considerada uma das mais seguras do mercado. A movimentação ocorreu em 7 de setembro de 2025, data de publicação da análise.
Segundo a Galaxy, empresa especializada em pesquisa de criptoativos, 82% de todo o Bitcoin roubado nas três ondas de ataques contra usuários Coldcard permanece nos endereços originais onde foi depositado após o roubo. Os 18% restantes foram movimentados em operações que a Galaxy classifica como aparente lavagem de dinheiro digital. Para contextualizar, lavar criptomoedas roubadas significa transferi-las por múltiplos endereços e serviços para dificultar o rastreamento, processo similar ao que criminosos fazem com dinheiro físico ao passar por várias contas bancárias.
As carteiras Coldcard são dispositivos físicos que armazenam as chaves privadas (senhas que dão acesso aos fundos) offline, o que teoricamente as torna imunes a ataques remotos pela internet. A ocorrência de três ondas de ataques contra esse tipo de dispositivo levanta questões sobre possíveis vulnerabilidades na cadeia de fornecimento ou no processo de configuração inicial. A fonte não especifica o valor total roubado nem o método exato utilizado pelos atacantes.
Impacto para o investidor brasileiro
Para o investidor brasileiro que mantém Bitcoin em carteiras de hardware, o caso serve como alerta sobre a importância de adquirir dispositivos diretamente de fornecedores oficiais e verificar a integridade do produto ao recebê-lo. Carteiras de hardware são amplamente recomendadas para quem mantém valores significativos em criptomoedas, mas a segurança depende tanto do dispositivo quanto dos cuidados do usuário. A título de comparação com o mercado tradicional, seria como guardar ações em certificados físicos: o papel pode ser seguro, mas se for adulterado na origem ou mal guardado, o investidor perde tudo.
Segundo conhecimento de mercado, a movimentação de fundos roubados costuma ocorrer semanas ou meses após o ataque, quando os criminosos avaliam que a atenção da comunidade diminuiu. A permanência de 82% dos fundos nos endereços originais pode indicar que os atacantes aguardam o momento adequado para tentar converter o Bitcoin em outras moedas ou serviços que dificultem o rastreamento. Historicamente, exchanges descentralizadas (plataformas de troca sem intermediário central) e serviços de mistura (que embaralham transações de múltiplos usuários) são os destinos mais comuns para criptomoedas roubadas.
📊 Número do Dia
82% , Percentual do Bitcoin roubado em ataques à Coldcard que permanece nos endereços originais, segundo a Galaxy
Por que isso importa
O caso expõe vulnerabilidades em dispositivos considerados o padrão-ouro de segurança para armazenamento de criptomoedas. Para o investidor brasileiro, reforça a necessidade de verificar a procedência de carteiras de hardware e seguir protocolos rigorosos de segurança, mesmo com dispositivos de marcas reconhecidas. A movimentação de parte dos fundos roubados também demonstra que rastrear criptomoedas subtraídas permanece possível, mas a conversão em dinheiro tradicional ou outros ativos continua sendo o desafio central para autoridades e vítimas.


