A Payward, dona da exchange Kraken, conseguiu aumentar a receita em 17% no segundo trimestre de 2025, mesmo com menos gente comprando e vendendo criptomoedas na plataforma. Segundo a Cointelegraph, o número de contas com saldo (contas financiadas, ou seja, que têm dinheiro depositado) saltou 42% no período. A aparente contradição entre menos negociações e mais receita revela uma mudança estratégica: a empresa está ganhando dinheiro com serviços que vão além das taxas cobradas a cada compra ou venda.
Exchanges de criptomoedas tradicionalmente vivem de taxas de transação, cobrando uma pequena porcentagem cada vez que alguém compra ou vende Bitcoin, Ethereum ou qualquer outro ativo digital. A Kraken, porém, vem diversificando suas fontes de receita, oferecendo serviços como staking (uma forma de emprestar suas criptomoedas para validar transações na rede e receber juros em troca) e custódia institucional (guarda segura de ativos para grandes investidores). Essa estratégia funciona como um banco que, além de ganhar com tarifas de transferência, também lucra com investimentos, seguros e outros produtos financeiros.
Para contextualizar o cenário global, o segundo trimestre de 2025 foi marcado por menor atividade especulativa no mercado cripto, com o Bitcoin oscilando em faixa lateral (sem grandes altas ou quedas) e investidores adotando postura mais cautelosa. Mesmo assim, o crescimento de 42% em contas financiadas mostra que mais pessoas estão entrando no ecossistema cripto, ainda que negociem com menos frequência. A título de comparação, no mercado brasileiro, plataformas como Mercado Bitcoin e Foxbit também têm buscado diversificar receitas com produtos de renda fixa em cripto e serviços de custódia, seguindo tendência semelhante.
A Kraken é uma das maiores exchanges do mundo, com sede nos Estados Unidos, e compete diretamente com Coinbase, Binance e outras gigantes globais. No Brasil, a plataforma opera desde 2019, mas enfrenta concorrência acirrada de players locais que dominam o mercado nacional. O modelo de negócio da Kraken, menos dependente de volumes de negociação, pode servir de referência para exchanges brasileiras que buscam estabilidade de receita em períodos de menor volatilidade. Historicamente, exchanges que dependem exclusivamente de taxas de transação sofrem quedas bruscas de receita quando o mercado esfria, como ocorreu no inverno cripto de 2022.
📊 Número do Dia
42% , Crescimento no número de contas com saldo na Kraken no segundo trimestre de 2025, mostrando entrada de novos usuários mesmo com menor atividade de negociação.
Por que isso importa
O caso da Kraken ilustra uma tendência importante para o mercado cripto: exchanges que diversificam receitas além das taxas de transação conseguem crescer mesmo em períodos de menor volatilidade. Para o investidor brasileiro, isso significa que plataformas locais podem seguir o mesmo caminho, oferecendo mais produtos financeiros em cripto (como staking e renda fixa) e tornando-se menos dependentes do vai e vem dos preços. Para o ecossistema, sinaliza maturidade: o mercado cripto deixa de ser apenas especulação e passa a oferecer serviços financeiros mais estáveis, parecidos com os de bancos tradicionais.


