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Pautas-bomba no Congresso somam R$ 111 bilhões anuais

Governo alerta que nove projetos no Congresso podem gerar impacto de R$ 111 bi/ano. Ministro Durigan não descarta recorrer ao STF para garantir responsabilidade fiscal.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou nesta sexta-feira (12) que nove projetos em tramitação no Congresso Nacional podem gerar impacto fiscal de R$ 111 bilhões por ano, segundo estimativas do governo federal. O montante equivale a mais de dois anos de investimentos públicos federais.

O governo federal divulgou nesta semana uma lista de nove projetos em tramitação no Congresso que, se aprovados, criariam despesas ou reduziriam receitas em R$ 111 bilhões anuais. Essas propostas são chamadas de “pautas-bomba” — um termo usado para descrever projetos que explodem os gastos públicos ou reduzem drasticamente a arrecadação, comprometendo o equilíbrio das contas do governo (a chamada responsabilidade fiscal, que é a regra de não gastar mais do que se arrecada).

Entre as propostas mais caras estão: a renegociação de dívidas com equalização de juros pela União (custo de até R$ 140 bilhões em 13 anos), a elevação do teto do Simples Nacional (renúncia de R$ 50 bilhões anuais), e a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios (redução de R$ 10 bilhões por ano nas receitas da União). Para dimensionar o tamanho do problema: R$ 111 bilhões em um ano representa mais do que o governo federal consegue investir em dois anos inteiros, segundo Durigan.

Em entrevista à Rádio Nacional, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o compromisso do governo é “não deixar que o espírito eleitoral e as demandas que aparecem dos diversos setores tomem conta da agenda econômica nacional”. Ele reconheceu que deputados e senadores querem atender suas bases eleitorais, mas alertou: “as coisas têm que caber nas forças do país, dentro do orçamento”. É como se uma família quisesse comprar vários itens a prazo sem verificar se a renda mensal comporta as prestações — eventualmente, as contas não fecham.

Comparação internacional e contexto global

A preocupação do governo ocorre em um momento delicado para a economia mundial. Durigan mencionou a alta do preço do petróleo, queda nas bolsas de valores e aumento da inflação global, fatores que levam bancos centrais de diversos países a elevar juros. A título de comparação, países emergentes como o Brasil enfrentam pressão adicional: qualquer sinal de descontrole fiscal (quando o governo gasta mais do que arrecada) pode afugentar investidores estrangeiros e pressionar o câmbio e a inflação.

Nos Estados Unidos e na Europa, governos têm adotado posturas mais restritivas em seus orçamentos justamente para evitar pressionar ainda mais a inflação. No Brasil, a aprovação de pautas-bomba iria na contramão dessa tendência global, segundo a avaliação do Ministério da Fazenda. “Quando começamos a apresentar outros projetos para atender bandeiras setoriais em prejuízo da população como um todo, perdemos força como país e nossa economia pode ficar enfraquecida”, afirmou Durigan.

Governo não descarta recorrer ao STF

Caso o Congresso aprove as propostas, o governo não descarta recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para exigir o cumprimento das regras fiscais — como já fez em situações anteriores. “Claro que temos que vencer as etapas no Congresso, evitando que se vote medidas ruins. Caso seja necessário, o governo irá ao STF”, declarou o ministro. Durigan afirmou ter conversado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem ajudado na “condução responsável” dos temas.

A Lei de Responsabilidade Fiscal, criada em 2000, estabelece limites para gastos públicos e exige que toda nova despesa tenha uma fonte de receita correspondente. As pautas-bomba, segundo o governo, violam esse princípio ao criar despesas sem indicar de onde virão os recursos.

📊 Número do Dia

R$ 111 bilhões — Impacto fiscal anual estimado de nove projetos em tramitação no Congresso Nacional, segundo o governo federal

Por que isso importa

Para o cidadão, a aprovação dessas propostas pode significar mais inflação e juros mais altos no futuro — afinal, quando o governo gasta além da conta, o Banco Central tende a elevar a taxa Selic (o juro básico da economia) para conter a alta de preços. Para empresas, o cenário de incerteza fiscal afasta investimentos e encarece o crédito. E para investidores, o descontrole das contas públicas pressiona o câmbio e aumenta o risco de aplicações no Brasil, podendo provocar fuga de capital.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/compromisso-e-nao-deixar-que-pauta-bomba-prejudique-pais-diz-durigan

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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