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Japão aprova reforma que abre caminho para ETFs de cripto

Câmara baixa do Japão aprova projeto que equipara cripto a ações, reduz imposto de 55% para 20% e autoriza ETFs regulados até 2027. Entenda o impacto.
A Câmara dos Representantes do Japão aprovou em 12 de junho um projeto de lei que transfere a regulação de criptomoedas para a mesma legislação que rege ações e títulos. A mudança abre caminho para a criação de ETFs de criptomoedas regulados e reduz drasticamente a tributação sobre ganhos de capital no país.

O Japão deu um passo decisivo para modernizar sua regulação de criptomoedas. Segundo reportagem da The Defiant publicada em 12 de junho, a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) aprovou uma emenda à Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio (FIEA, na sigla em inglês) que passa a regular criptomoedas da mesma forma que ações e outros valores mobiliários. O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara Alta (equivalente ao Senado) para se tornar lei, mas a aprovação na Câmara baixa é considerada o principal obstáculo político.

A mudança mais impactante para investidores é a redução drástica da carga tributária. Atualmente, ganhos de capital com criptomoedas no Japão podem ser tributados em até 55%, dependendo da faixa de renda do contribuinte (um sistema progressivo semelhante ao Imposto de Renda brasileiro, mas com alíquota máxima muito mais alta). Com a nova lei, a tributação cairia para uma alíquota fixa de 20%, equiparando-se ao tratamento dado a ações e fundos de investimento. Para contextualizar: no Brasil, ganhos com ações na bolsa são tributados em 15% para operações comuns, e criptomoedas seguem regras específicas da Receita Federal com alíquotas que variam de 15% a 22,5% conforme o valor da operação.

Outro avanço importante é a autorização para criação de ETFs de criptomoedas regulados. ETFs (fundos negociados em bolsa, como se fossem ações) são uma forma de investir em Bitcoin ou outras criptomoedas sem precisar comprar e guardar as moedas diretamente. Pense neles como uma cota de fundo que você compra pela bolsa de valores, semelhante ao HASH11 ou QBTC11 negociados na B3 brasileira. Segundo a The Defiant, a expectativa é que esses produtos estejam disponíveis no mercado japonês até 2027, caso a lei seja aprovada integralmente.

Para o investidor brasileiro, a notícia serve como termômetro do movimento global de regulação. O Japão é a terceira maior economia do mundo e um dos mercados mais maduros em adoção de criptomoedas. A decisão de equiparar cripto a valores mobiliários segue tendência já observada nos Estados Unidos (onde a SEC regula criptomoedas como títulos em diversos casos) e na União Europeia (com o pacote MiCA, que entrou em vigor em 2023). No Brasil, a regulação de criptomoedas ainda está em construção: o Banco Central supervisiona exchanges desde 2022, mas a CVM (equivalente à SEC americana) ainda não definiu claramente quais criptoativos seriam valores mobiliários. A experiência japonesa pode influenciar esse debate local.

A reforma japonesa também busca estimular a indústria local de blockchain. Historicamente, o Japão foi pioneiro na regulação de exchanges (casas de câmbio de criptomoedas) após o hack da Mt. Gox em 2014, que resultou no roubo de cerca de 850 mil Bitcoins. Desde então, o país adotou regras rígidas de custódia e segurança, mas a alta tributação desestimulava investidores individuais. Com a nova lei, o governo busca equilibrar proteção ao investidor com competitividade internacional.

📊 Número do Dia

20% , Alíquota fixa de imposto sobre ganhos com cripto no Japão, contra até 55% no regime atual. Equipara tributação de criptomoedas à de ações.

Por que isso importa

A reforma japonesa sinaliza uma tendência global de equiparar criptomoedas a ativos financeiros tradicionais, com regras claras e tributação mais previsível. Para investidores brasileiros, é um indicador de que mercados maduros estão apostando em regulação para atrair capital institucional, não para afastar investidores. A criação de ETFs regulados no Japão pode pressionar outros países, incluindo o Brasil, a acelerar a aprovação de produtos similares. Além disso, a redução de impostos mostra que governos começam a ver cripto como classe de ativos legítima, não como nicho especulativo.


Fonte original: https://thedefiant.io/converge/regulation/japan-lower-house-crypto-fiea-bill-etf-20-percent-tax

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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