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Correios lançam segundo PDV do ano para 7 mil funcionários

Correios lançam segundo PDV do ano para 7 mil funcionários após primeiro programa atingir apenas 30% da meta. Estatal acumula prejuízo de R$ 3,1 bilhões no trimestre.
Os Correios preparam um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) com público potencial de 7 mil trabalhadores, após o primeiro programa do ano ter ficado muito abaixo da meta. A iniciativa faz parte da estratégia de reestruturação da estatal, que acumula prejuízos bilionários.

Os Correios vão lançar nas próximas semanas um segundo Plano de Demissão Voluntária (PDV) em 2026, desta vez mirando 7 mil funcionários. Um PDV é um programa em que a empresa oferece uma indenização para que trabalhadores peçam demissão voluntariamente, evitando demissões forçadas. O novo plano ficará aberto até o fim do ano e será direcionado exclusivamente aos funcionários de mil unidades que serão fechadas — entre agências de atendimento e centros de armazenamento de cargas —, segundo informações do jornal O Globo.

A nova tentativa vem após o fracasso do primeiro PDV de 2026, lançado em fevereiro e encerrado em março. Apenas 3.075 funcionários aderiram ao programa, número que representa somente 30% da meta de 10 mil desligamentos. Apesar da baixa adesão, a direção da estatal afirma ter conseguido uma economia de 45% da meta de R$ 1,4 bilhão programada. Desta vez, a empresa não estabelecerá meta numérica e o incentivo financeiro será um pouco menor, com um teto de indenização ainda em definição pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest).

A situação financeira dos Correios é crítica: no primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de R$ 3,1 bilhões, valor 82% superior ao mesmo período de 2025. Para 2026 inteiro, a expectativa é de prejuízo na casa de R$ 10 bilhões. As despesas com pessoal (salários e benefícios dos funcionários) são um dos principais gastos da estatal. A título de comparação, empresas postais de outros países também enfrentam desafios semelhantes: o serviço postal dos Estados Unidos (USPS) acumulou prejuízos por 16 anos consecutivos até 2023, enquanto o Royal Mail britânico cortou milhares de postos nos últimos anos.

O governo federal promete tirar os Correios do vermelho (ou seja, fazer a empresa voltar a ter lucro) em 2027. O plano de reestruturação prevê não apenas corte de despesas, mas também novas parcerias com o setor privado para aumentar as receitas. Caso o segundo PDV não atinja os resultados esperados, a direção da empresa não descarta realizar demissões sem o caráter voluntário.

📊 Número do Dia

30% , Foi a taxa de adesão ao primeiro PDV dos Correios em 2026 — apenas 3.075 dos 10 mil funcionários esperados aceitaram a demissão voluntária

Por que isso importa

Para os 7 mil funcionários nas unidades que serão fechadas, o novo PDV representa a chance de sair com indenização antes de possíveis demissões forçadas. Para o cidadão, a reestruturação pode significar menos agências disponíveis, mas também a possibilidade de um serviço postal mais eficiente se a empresa conseguir sair do prejuízo. Para o contribuinte, o resultado importa porque prejuízos bilionários em estatais podem pressionar as contas públicas e exigir aportes do Tesouro Nacional.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/12/correios-preparam-novo-pdv-mirando-7-mil-funcionarios-apos-primeiro-plano-encerrar-abaixo-da-meta.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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