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Percepção econômica dos brasileiros melhora apesar de indicadores

Pesquisa Genial/Quaest mostra melhora na percepção econômica dos brasileiros, com queda no endividamento e impacto positivo de isenção de IR e Desenrola.
A percepção dos brasileiros sobre a economia melhorou ligeiramente, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em junho de 2026, mesmo com piora nos indicadores macroeconômicos do país.

A percepção dos brasileiros sobre a economia apresentou melhora discreta, contrariando o movimento dos indicadores técnicos. Segundo pesquisa Genial/Quaest, o percentual de pessoas que avaliam a situação econômica como pior recuou de 46% para 44%, enquanto a percepção de melhora caiu levemente de 22% para 20%. Embora ambos os números tenham recuado, o saldo líquido — a diferença entre quem vê piora e quem vê melhora — melhorou marginalmente.

O endividamento das famílias, termômetro importante da saúde financeira doméstica, mostrou alívio. O número de brasileiros que se declaram muito endividados caiu de 28% para 23%, enquanto os que afirmam não ter dívidas subiram de 27% para 30%. Para contextualizar: estar “muito endividado” significa comprometer mais de 30% da renda mensal com pagamento de dívidas — situação comparável a gastar quase um terço do salário só com parcelas de cartão, empréstimos e financiamentos antes de pagar qualquer conta básica.

Duas medidas fiscais recentes parecem ter impactado positivamente a percepção popular. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados disseram ter sentido aumento na renda com a isenção do Imposto de Renda (tributo que incide sobre salários e que foi ampliado para faixas maiores de renda), e 71% relataram o mesmo sentimento em relação ao Desenrola (programa de renegociação de dívidas do governo federal). Esses números sugerem que políticas de alívio fiscal têm efeito perceptível no dia a dia das famílias, mesmo quando os indicadores agregados — como PIB (a soma de tudo que o país produz) ou inflação (alta generalizada de preços) — não melhoram na mesma velocidade.

A título de comparação, nos Estados Unidos, pesquisas de sentimento do consumidor costumam reagir rapidamente a mudanças na taxa de desemprego e no preço da gasolina, mas com defasagem em relação a indicadores mais técnicos como o índice de confiança empresarial. No Brasil, a percepção parece mais sensível a medidas que afetam diretamente o bolso — como isenções tributárias e programas de crédito — do que a variações no crescimento econômico agregado.

Por que a percepção diverge dos indicadores?

A conjuntura econômica esperada para o Brasil em 2026 piorou quando se observa o conjunto dos indicadores técnicos, segundo análises de mercado. Isso inclui projeções de crescimento mais baixas, juros elevados (a taxa Selic, que é o custo básico do dinheiro na economia, está em patamar restritivo) e incertezas fiscais. No entanto, a percepção popular não acompanhou essa deterioração técnica — o que pode ser explicado pelo impacto imediato de políticas redistributivas e pela melhora pontual no mercado de trabalho, que mantém o desemprego relativamente controlado.

📊 Número do Dia

23% , dos brasileiros se declaram muito endividados, queda de 5 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior

Por que isso importa

Para o cidadão, a redução do endividamento e o impacto de medidas como isenção de IR e Desenrola significam mais fôlego no orçamento doméstico, ainda que temporário. Para empresas, a melhora na percepção pode sustentar o consumo no curto prazo, especialmente em setores de varejo e serviços. Para investidores, a divergência entre percepção popular e indicadores técnicos sinaliza que o governo pode ter espaço político para manter políticas expansionistas, mas também alerta para riscos fiscais caso essas medidas não sejam acompanhadas de ajustes estruturais.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2026/06/percepcao-do-eleitorado-sobre-a-economia-melhorou.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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