O Brasil possui 2.864 processos minerários ativos relacionados a terras raras, segundo levantamento feito pelo advogado Luiz Ugeda, doutor em Direito e Geografia e fundador da plataforma Geocracia. Os dados, obtidos junto à ANM (Agência Nacional de Mineração, órgão que regula a atividade de extração mineral no país), mostram que a Bahia concentra o maior número desses pedidos. Porém, a maioria ainda está em fases iniciais de pesquisa — ou seja, longe de se transformar em produção comercial.
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de produtos tecnológicos modernos: desde smartphones e computadores até turbinas eólicas, painéis solares e baterias de carros elétricos. Pense nelas como os temperos indispensáveis da indústria de alta tecnologia — sem elas, boa parte dos equipamentos que usamos diariamente simplesmente não funcionaria. Por isso, esses minerais são considerados estratégicos para a transição energética e a soberania tecnológica dos países.
Comparação internacional
A China domina cerca de 70% da produção mundial de terras raras e controla quase 90% do refino desses metais, segundo dados da Agência Internacional de Energia. Esse monopólio preocupa Estados Unidos, União Europeia e outros blocos, que buscam diversificar suas fontes de fornecimento. O Brasil, com suas reservas estimadas em 21 milhões de toneladas (segundo o Serviço Geológico do Brasil), aparece como potencial alternativa — mas ainda precisa transformar pesquisa em produção efetiva.
A título de comparação, a Austrália — segundo maior produtor mundial — tem cerca de 4 milhões de toneladas de reservas, mas já opera minas comerciais consolidadas. O Brasil possui reservas cinco vezes maiores, mas enfrenta desafios regulatórios, ambientais e de infraestrutura que atrasam a exploração comercial.
O que muda para o Brasil
O elevado número de processos minerários indica interesse crescente do setor privado, mas a concentração em fases iniciais revela gargalos. A exploração de terras raras exige tecnologia sofisticada e investimentos robustos — algo que depende de segurança jurídica e políticas públicas claras. Para o cidadão, a exploração bem-sucedida desses minerais pode significar geração de empregos qualificados e receitas para estados como a Bahia, além de posicionar o Brasil como fornecedor estratégico global. Para empresas e investidores, representa uma oportunidade de longo prazo em um mercado que deve crescer com a eletrificação da economia mundial.
📊 Número do Dia
2.864 — processos minerários ativos de terras raras no Brasil, concentrados principalmente na Bahia
Por que isso importa
Terras raras são insumos críticos para tecnologias do futuro — de carros elétricos a energia renovável. O Brasil tem reservas gigantescas, mas ainda não as transforma em produção comercial. Se conseguir destravar esses projetos, pode se tornar um player global estratégico, gerando empregos, receitas e reduzindo a dependência mundial da China. Para o investidor, é um setor de alto risco e alto potencial. Para o cidadão, pode significar desenvolvimento regional e protagonismo tecnológico do país.












