O Brasil quer se tornar protagonista global no fornecimento de minerais estratégicos, aqueles materiais essenciais para a indústria de tecnologia e para a transição energética mundial. Em entrevista à TV Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou que as reuniões do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do G7 (as sete democracias mais ricas do planeta) terão como foco central a discussão sobre como proteger a economia brasileira dos impactos das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, além de posicionar o país como alternativa confiável à China no mercado de minerais críticos.
Os minerais críticos são matérias-primas como terras raras, nióbio e grafeno, usados na fabricação de celulares, baterias de carros elétricos e painéis solares. Atualmente, a China domina cerca de 70% da produção mundial desses materiais, segundo dados da Agência Internacional de Energia. O Brasil possui a segunda maior reserva global, mas ainda exporta principalmente matéria-prima bruta, sem agregar valor industrial. É como se o país vendesse café em grão quando poderia vender café torrado e moído — ou até cápsulas prontas para consumo.
Proteção contra os efeitos das guerras
Em Moscou, onde chega na quinta-feira (14), Durigan participará da reunião do Banco do Brics. O tema prioritário será discutir formas de proteger setores sensíveis da economia brasileira, especialmente combustíveis e agronegócio, dos efeitos das guerras internacionais. “O tema de como a gente se prepara e protege o Brasil da guerra é o tema que mais me importa”, afirmou o ministro, segundo a Agência Brasil. As guerras afetam o Brasil mesmo à distância: conflitos no Oriente Médio elevam o preço do petróleo, encarecendo a gasolina nas bombas brasileiras; tensões na Ucrânia impactam o mercado de fertilizantes, aumentando custos para o agricultor.
Outro ponto central da agenda em Moscou será a preservação de investimentos financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do Brics. Entre os projetos prioritários está o desenvolvimento do primeiro Hospital Inteligente da América Latina, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), com financiamento do banco. A iniciativa prevê integração tecnológica internacional e cooperação entre especialistas de vários países, conforme informou o governo brasileiro.
Soberania e industrialização local
Na segunda-feira (18), Durigan segue para Paris, onde o Brasil participará como convidado das reuniões do G7. A estratégia brasileira é clara: atrair investimentos estrangeiros para exploração de minerais críticos, mas com duas condições inegociáveis — soberania nacional sobre os recursos e industrialização local. “Não queremos repetir um padrão histórico que a gente viu com o ouro, com a prata, com a cana de açúcar, ou com o minério de ferro. Que é: tira tudo daqui e depois eu compro a placa de aço industrializada”, declarou Durigan à TV Brasil.
O governo defende que o novo marco legal dos minerais estratégicos, recentemente aprovado pelo Congresso, oferece segurança jurídica aos investidores estrangeiros sem abrir mão do controle nacional. A ideia é vincular futuras parcerias internacionais à geração de empregos qualificados no Brasil, apoio às universidades e transferência de tecnologia. Conversas anteriores com empresas alemãs durante a Feira de Hanover, realizada em abril, já abriram espaço para futuras instalações industriais no país, segundo o ministro.
A título de comparação, a Austrália — que também possui grandes reservas minerais — adotou estratégia semelhante nas últimas décadas, exigindo que empresas estrangeiras processem parte dos minerais localmente. O resultado foi a criação de um setor industrial robusto e milhares de empregos qualificados, transformando o país em exportador não apenas de minério bruto, mas de produtos industrializados de alto valor agregado.
📊 Número do Dia
70% — Participação da China na produção mundial de minerais críticos, mercado que o Brasil quer disputar com a segunda maior reserva global
Por que isso importa
Para o cidadão, a estratégia pode significar proteção contra aumentos bruscos no preço da gasolina e dos alimentos causados por guerras distantes. Para as empresas, representa oportunidades de investimento em um setor estratégico com demanda global crescente. Para o investidor, sinaliza que o governo está tentando posicionar o Brasil como alternativa geopolítica confiável em um mundo cada vez mais fragmentado, o que pode atrair capital estrangeiro e fortalecer setores como tecnologia e infraestrutura.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/durigan-brasil-discutira-guerra-e-minerais-em-reunioes-do-brics-e-g7













