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Petrobras aposta em produção recorde para segurar combustíveis

Petrobras bate recorde de produção de petróleo e gás no 1º trimestre de 2026 para segurar preços de combustíveis enquanto guerra no Oriente Médio pressiona mercado global.
A Petrobras registrou produção recorde de petróleo e gás no primeiro trimestre de 2026, com alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025. A estratégia busca garantir abastecimento interno e evitar repasses bruscos de preços ao consumidor brasileiro, mesmo com o barril de Brent ultrapassando US$ 100 por causa da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

A Petrobras está produzindo mais petróleo e gás do que nunca na sua história — e isso não é por acaso. Com a guerra no Oriente Médio empurrando o preço do barril de petróleo tipo Brent (a referência internacional usada para calcular o valor do óleo no mundo todo) de US$ 70 para mais de US$ 100, a estatal brasileira decidiu acelerar a produção interna para tentar segurar os preços dos combustíveis no país. Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a empresa não pretende fazer “mudanças abruptas” nos valores cobrados nas refinarias, conforme declarou em entrevista no Rio de Janeiro nesta terça-feira (12).

O conflito começou em 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. A região concentra grandes produtores de petróleo e o Estreito de Ormuz — uma passagem marítima estreita no sul do Irã por onde passavam cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo antes da guerra. Com bloqueios e turbulências na logística, a oferta global de petróleo caiu, e os preços dispararam. O barril do Brent chegou a tocar US$ 120 em alguns momentos. Para entender a dimensão: é como se o preço do pão francês dobrasse de uma semana para outra em todas as padarias do planeta ao mesmo tempo.

No primeiro trimestre de 2026, a Petrobras produziu 16,1% mais petróleo e gás do que no mesmo período de 2025, batendo recorde histórico. Além disso, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias — um indicador que mede o quanto as fábricas de combustível estão operando em relação à sua capacidade máxima — ultrapassou 100%, o maior patamar desde dezembro de 2014. Isso significa que as refinarias brasileiras estão trabalhando acima da capacidade originalmente projetada, com autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP), para produzir mais gasolina, diesel e outros derivados e abastecer o mercado interno.

Comparação internacional e a vantagem brasileira

Enquanto países importadores de petróleo, como Índia e Turquia, enfrentam forte pressão inflacionária por causa da alta do barril, o Brasil está em posição mais confortável. A título de comparação, a Índia — que importa cerca de 85% do petróleo que consome — viu os preços dos combustíveis subirem mais de 15% desde o início da guerra, segundo dados públicos do governo indiano. O Brasil, por ser autossuficiente e até exportador de petróleo, consegue usar a produção doméstica como amortecedor. Desde o início do conflito, a Petrobras reajustou apenas o diesel e o querosene de aviação (QAV), mas manteve o preço da gasolina estável. A empresa monitora também a concorrência com o etanol — combustível alternativo produzido da cana-de-açúcar —, que caiu de preço nas últimas semanas e disputa a preferência dos motoristas brasileiros nos postos.

Lucro e dívida

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro (110%) do trimestre anterior. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, porém, houve queda de 7,2%, explicada principalmente pelo efeito cambial (a variação do dólar frente ao real). Os investimentos da companhia somaram R$ 26,8 bilhões no período, alta de 25,6% em relação ao ano anterior. A dívida bruta atingiu US$ 71,2 bilhões (cerca de R$ 350 bilhões), dentro do limite previsto no plano estratégico da empresa, que é de até US$ 75 bilhões.

O que vem pela frente

A Petrobras informou que o aumento recente dos preços do petróleo ainda não apareceu totalmente nas receitas do primeiro trimestre. Isso acontece porque a precificação das exportações — especialmente para a Ásia, principal destino do petróleo brasileiro — costuma ser feita com base nas cotações do mês anterior à chegada da carga. Portanto, o impacto financeiro da alta do Brent após o início da guerra deve aparecer com mais força nos resultados do segundo trimestre de 2026, que serão divulgados nos próximos meses.

📊 Número do Dia

16,1% — Aumento da produção de petróleo e gás da Petrobras no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025 — recorde histórico da estatal

Por que isso importa

Para o cidadão, a estratégia da Petrobras de aumentar a produção pode significar preços mais estáveis na bomba, mesmo com a guerra no Oriente Médio pressionando o mercado global. Para o investidor, o lucro de R$ 32,7 bilhões e a dívida controlada reforçam a saúde financeira da companhia, mas é preciso acompanhar os resultados do segundo trimestre, quando o impacto da alta do petróleo deve aparecer com mais força. Para a economia brasileira como um todo, a autossuficiência energética funciona como escudo contra choques externos — vantagem que países importadores não têm.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/petrobras-busca-aumento-producao-para-mitigar-efeitos-guerra

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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