A Circle, uma das maiores emissoras de stablecoins do mundo, captou US$ 222 milhões em uma rodada de pré-venda do token Arc, avaliando o projeto em US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões, a título de comparação, próximo ao valor de mercado da Localiza na B3). Segundo o The Block, a rodada atraiu investidores de peso: BlackRock (a maior gestora de ativos do mundo), Apollo (gestora com US$ 700 bilhões sob gestão) e a16z crypto (braço de criptomoedas da Andreessen Horowitz, um dos fundos de venture capital mais influentes do Vale do Silício). A operação ocorre em um momento de crescimento para a Circle: a receita da empresa no primeiro trimestre de 2025 atingiu US$ 694 milhões, alta de 20% em relação ao trimestre anterior, conforme dados divulgados pela própria companhia.
O token Arc ainda não teve sua função detalhada publicamente, mas a presença de investidores institucionais de grande porte sinaliza confiança no modelo de negócios da Circle. A empresa é conhecida por emitir a USDC, uma stablecoin (criptomoeda atrelada ao dólar, que mantém o valor de US$ 1 mesmo quando o Bitcoin ou outras moedas digitais oscilam). Segundo o The Block, a USDC atingiu US$ 77 bilhões em circulação no primeiro trimestre de 2025, consolidando-se como a segunda maior stablecoin do mercado, atrás apenas da Tether (USDT). Para contextualizar, esse volume equivale a mais de R$ 420 bilhões, valor superior ao PIB de estados como o Rio Grande do Sul.
Para o investidor brasileiro, o movimento reforça a tendência de institucionalização do mercado cripto. A entrada de gestoras como BlackRock (que também lançou o ETF de Bitcoin IBIT nos Estados Unidos, um dos mais negociados do mundo) e Apollo em projetos de stablecoins indica que grandes players financeiros veem valor em ativos digitais lastreados. No Brasil, stablecoins ainda não possuem regulação específica, mas o Banco Central tem discutido o tema no contexto do Drex (o real digital). A Circle, por sua vez, já opera no país por meio de parcerias com exchanges locais, permitindo que brasileiros comprem e vendam USDC. Historicamente, stablecoins têm sido usadas por investidores brasileiros como proteção contra a volatilidade do real e como ponte para acessar mercados internacionais de cripto.
Conforme reportou o The Block, a Circle não divulgou o cronograma de lançamento público do token Arc nem detalhes sobre sua utilidade dentro do ecossistema da empresa. A pré-venda, no entanto, já coloca o projeto entre as maiores captações de 2025 no setor de criptomoedas, segundo dados públicos de plataformas como CoinGecko e CryptoRank.
📊 Número do Dia
US$ 222 milhões , Valor captado pela Circle na pré-venda do token Arc, com participação de BlackRock, Apollo e a16z crypto, avaliando o projeto em US$ 3 bilhões.
Por que isso importa
A entrada de gigantes financeiros tradicionais como BlackRock e Apollo em projetos de stablecoins e tokens cripto reforça a tese de que o mercado de ativos digitais está se tornando parte do sistema financeiro global. Para o investidor brasileiro, isso significa maior credibilidade e, potencialmente, mais produtos regulados no futuro. A Circle, ao captar recursos dessa magnitude, também sinaliza que stablecoins (moedas digitais estáveis) continuam sendo um dos pilares mais sólidos do ecossistema cripto, especialmente em países com moedas voláteis como o Brasil.












