Pular para o conteúdo
segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

BlackRock pede ao regulador americano mais liberdade para tokenizar ativos

A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, enviou carta ao regulador bancário americano OCC pedindo o fim de uma proposta de limite de 20% sobre reservas tokenizadas e a ampliação dos tipos de ativos que podem ser convertidos em tokens digitais, segundo reportou o The Block em 2 de maio de 2025.

Executivo de cabelos grisalhos lendo documento OCC sobre riscos de ativos digitais emergentes em escritório com gráficos
Profissional do mercado financeiro examina diretrizes regulatórias sobre tokenização de ativos.

A BlackRock se posicionou contra uma possível regra que limitaria a 20% a parcela de reservas que bancos americanos poderiam manter em ativos tokenizados. A carta foi enviada ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC), órgão que supervisiona bancos nacionais nos Estados Unidos, no contexto da discussão sobre o GENIUS Act, projeto de lei que busca criar regras claras para ativos digitais no sistema bancário americano. Tokenização, para quem não acompanha o tema, é o processo de transformar um ativo tradicional (como títulos do governo, ações ou fundos) em uma versão digital registrada em blockchain (a tecnologia de registro público e descentralizado que sustenta criptomoedas como o Bitcoin).

O pedido da BlackRock tem relação direta com seu fundo BUIDL, lançado em março de 2024, que tokeniza títulos do Tesouro americano e mantém reservas em dinheiro. Esse fundo permite que investidores comprem e vendam participações em títulos públicos dos EUA usando blockchain, com liquidação instantânea e disponibilidade 24 horas por dia, sete dias por semana (ao contrário do mercado tradicional, que fecha aos finais de semana). Segundo a gestora, um teto de 20% sobre esse tipo de produto limitaria a inovação e a eficiência que a tokenização pode trazer ao sistema financeiro. A título de comparação, seria como se o Banco Central brasileiro impusesse um limite arbitrário sobre quanto um banco pode investir em títulos públicos digitais, mesmo que esses títulos sejam tão seguros quanto os papéis físicos.

Além de pedir a remoção do teto, a BlackRock também solicitou que o OCC amplie a lista de ativos que podem ser tokenizados. Atualmente, a proposta em discussão restringe a tokenização a um conjunto limitado de produtos financeiros, mas a gestora argumenta que ativos como fundos do mercado monetário e outros instrumentos de baixo risco deveriam ser incluídos. Essa ampliação permitiria que mais produtos financeiros tradicionais migrassem para a infraestrutura blockchain, potencialmente reduzindo custos operacionais e aumentando a velocidade de transações.

Para o investidor brasileiro, o movimento da BlackRock sinaliza que grandes instituições financeiras globais estão pressionando por regras que facilitem a adoção de blockchain no sistema financeiro tradicional. Embora a carta tenha sido enviada a um regulador americano, decisões desse tipo costumam influenciar a postura de autoridades em outros países, incluindo o Banco Central do Brasil, que desenvolve o Drex (a moeda digital oficial brasileira) e estuda regras para tokenização de ativos. Historicamente, regulações financeiras dos EUA servem de referência para mercados emergentes, e uma postura mais permissiva do OCC poderia acelerar a adoção de produtos tokenizados também por aqui.

Segundo conhecimento de mercado, o fundo BUIDL da BlackRock já movimentou bilhões de dólares desde seu lançamento, demonstrando apetite institucional por versões tokenizadas de ativos tradicionais. A gestora administra cerca de US$ 11 trilhões globalmente (em dados públicos de 2024), o que torna suas posições regulatórias especialmente influentes. A carta ao OCC reflete uma estratégia mais ampla da BlackRock de posicionar a tokenização como parte central da infraestrutura financeira do futuro, e não como um nicho experimental.

📊 Número do Dia

20% , Teto proposto pelo regulador americano sobre reservas tokenizadas que a BlackRock quer derrubar, argumentando que limita inovação no mercado financeiro digital.

Por que isso importa

A pressão da maior gestora de ativos do mundo sobre o regulador americano mostra que a tokenização de ativos tradicionais está deixando de ser experimento e virando disputa regulatória concreta. Para o investidor brasileiro, isso importa porque decisões do OCC costumam influenciar a postura do Banco Central e da CVM, que também estudam regras para tokenização e para o Drex. Se os EUA adotarem regras mais permissivas, a tendência é que o Brasil siga caminho semelhante, abrindo espaço para produtos tokenizados na B3 e em plataformas locais.


Fonte original: https://www.theblock.co/post/399812/blackrock-urges-occ-to-drop-tokenized-reserve-cap-idea-expand-eligible-assets-in-genius-act-comment-letter?utm_source=rss&utm_medium=rss