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Rio pode perder R$ 117 bilhões com redistribuição de royalties

Lei de 2012 prevê divisão nacional dos recursos petrolíferos, mas Firjan alerta para concentração de custos nos estados produtores
Executivo de terno lendo documento sobre impacto econômico de R$ 117 bilhões em reunião empresarial royalties petróleo
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar no dia 6 de maio uma lei de 2012 que muda a forma como o Brasil divide os royalties do petróleo — os pagamentos que empresas fazem ao governo pelo direito de explorar esse recurso natural. A OAB-RJ pediu à Corte que considere um estudo da Firjan mostrando que o Rio de Janeiro pode perder R$ 117 bilhões em cinco anos se a mudança for aprovada.

A disputa envolve bilhões de reais que hoje ficam com estados e municípios onde o petróleo é extraído, mas que passariam a ser divididos com todo o país. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), apenas entre 2020 e 2025, os municípios fluminenses teriam deixado de arrecadar R$ 68,7 bilhões caso a lei estivesse valendo, enquanto o governo estadual perderia outros R$ 48,3 bilhões — um total de R$ 117 bilhões, conforme reportado pelo jornal O Globo.

Os royalties funcionam como uma compensação financeira: quem explora um recurso natural que não se renova (como o petróleo) paga uma porcentagem do valor extraído aos governos. Hoje, a maior parte desse dinheiro fica com estados e cidades produtores, que arcam com os custos da atividade — mais trânsito, pressão sobre hospitais e escolas, riscos ambientais. A lei de 2012 propõe ampliar o repasse para estados não produtores, sob o argumento de que o petróleo é um patrimônio de todos os brasileiros.

O impacto seria especialmente duro para o Rio de Janeiro. Segundo o estudo da Firjan, as receitas do petróleo representam 21,8% de toda a arrecadação do estado — mais de um quinto do orçamento. Para efeito de comparação, é como se o Rio dependesse dessas receitas tanto quanto a Noruega depende do petróleo para financiar seu fundo soberano, que sustenta o generoso estado de bem-estar social do país escandinavo. A diferença é que a Noruega poupa esses recursos para o futuro, enquanto o Rio os usa para equilibrar as contas do presente.

A Firjan argumenta que a redistribuição concentraria os custos da exploração nos estados produtores, mas espalharia as receitas. “As riquezas geradas pelas atividades da agroindústria também não são distribuídas”, compara a entidade, defendendo que cada região deve arcar com seus ônus e ficar com seus bônus. Regiões como o Norte Fluminense e a Baixada Litorânea enfrentam crescimento populacional acelerado e demanda por infraestrutura justamente por causa da atividade petrolífera, segundo o documento.

O que está em jogo no STF

A lei de 2012 está suspensa desde 2013 por uma liminar (decisão provisória) da ministra Cármen Lúcia. Agora, o plenário do STF vai decidir se a mudança é constitucional ou se fere o pacto federativo — o equilíbrio de forças e recursos entre União, estados e municípios. A OAB-RJ pediu que o estudo da Firjan seja considerado no julgamento, argumentando que traz “elementos relevantes” sobre os impactos fiscais e sociais da redistribuição.

A federação também alerta que a mudança pode afetar o ambiente de negócios no Rio, elevando custos operacionais e reduzindo a atratividade para novos investimentos no setor de petróleo e gás. Segundo a entidade, se há desequilíbrios regionais a corrigir, isso deveria ser feito por outras políticas públicas, não redistribuindo receitas que compensam custos locais.

📊 Número do Dia

R$ 117 bilhões , Valor que o Rio de Janeiro teria deixado de arrecadar entre 2020 e 2025 se a redistribuição de royalties do petróleo estivesse em vigor

Por que isso importa

Para o cidadão fluminense, a decisão do STF pode significar menos dinheiro para saúde, educação e infraestrutura — áreas que já sofrem com a crise fiscal do estado. Para empresas do setor de petróleo e gás, a mudança pode alterar o ambiente de negócios e a atratividade de investimentos no Rio. Para investidores, o desfecho afeta a capacidade de pagamento de dívidas e a saúde fiscal de um dos maiores estados brasileiros, com reflexos sobre títulos públicos estaduais e empresas locais.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/22/oab-rj-pede-ao-stf-para-incluir-em-processo-estudo-sobre-impacto-de-eventual-redistribuicao-de-royalties-do-petroleo.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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