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Câmara mantém tramitação da PEC 6×1 apesar de projeto do governo

Hugo Motta mantém cronograma da CCJ mesmo com pressão do Planalto e urgência constitucional do projeto alternativo
Homem de terno azul discursa em púlpito oficial com bandeira do Brasil e brasão ao fundo, jornalistas fotografam, política econômica
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou na terça-feira que o cronograma de tramitação da PEC do fim da escala 6×1 segue inalterado, mesmo após o governo Lula enviar um projeto de lei alternativo sobre o tema com urgência constitucional.

A Câmara dos Deputados decidiu manter o calendário de votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que pretende acabar com a escala 6×1 de trabalho, mesmo após o governo federal enviar um projeto de lei alternativo sobre o assunto. Segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votará o parecer do relator Paulo Azi (União Brasil-BA) nesta quarta-feira, conforme o planejamento original.

A escala 6×1 é um regime de trabalho em que o funcionário trabalha seis dias seguidos e folga apenas um — imagine trabalhar a semana inteira, incluindo sábado, para descansar só no domingo. O governo publicou seu projeto no Diário Oficial da União (DOU) com urgência constitucional, o que significa que a Câmara tem 45 dias para analisá-lo antes que a proposta trave todas as outras votações da Casa. É como se o governo colocasse seu projeto na frente da fila, mas com um prazo apertado.

Apesar da pressão do Executivo, Motta deixou claro que a PEC continuará seu curso normal. “Eu já tenho um calendário estabelecido pra PEC e nós vamos seguir com esse calendário”, afirmou o presidente da Câmara, segundo reportagem de O Globo. Ele explicou que os dois textos não podem tramitar simultaneamente por serem instrumentos legislativos diferentes: uma PEC altera a Constituição, enquanto um projeto de lei muda apenas a legislação ordinária.

Comparação internacional

A discussão sobre jornadas de trabalho não é exclusividade brasileira. Na França, a semana de trabalho é limitada a 35 horas desde 2000, enquanto na Alemanha a média fica em torno de 34 horas semanais. A título de comparação, a escala 6×1 no Brasil pode resultar em jornadas de até 44 horas semanais, o limite constitucional brasileiro, concentradas em seis dias — um modelo que vem sendo questionado por movimentos trabalhistas.

O jogo político por trás da disputa

O presidente Lula tratou do assunto pessoalmente com Hugo Motta durante um almoço no Palácio do Planalto na terça-feira. Lula afirmou que o tema tem importância pessoal para ele por sua história no movimento sindical, e que queria exercer sua prerrogativa de enviar um projeto ao Congresso. Motta, por sua vez, informou que levará o assunto aos líderes partidários em reunião prevista para esta quarta-feira, mas não deu previsão de quando o projeto do governo será efetivamente analisado.

A situação cria um impasse institucional: enquanto o governo tenta impor seu ritmo com a urgência constitucional, a Câmara sinaliza que manterá sua autonomia para definir quando e como analisará a proposta do Executivo. “É um direito do presidente mandar um projeto, mas também é um direito da Casa analisar no momento em que acha que deve analisar”, declarou Motta.

📊 Número do Dia

45 dias , Prazo que a Câmara tem para analisar o projeto do governo sobre a escala 6×1 antes que ele trave a pauta legislativa

Por que isso importa

A disputa entre Câmara e governo sobre qual proposta analisar primeiro afeta diretamente milhões de trabalhadores brasileiros que atuam na escala 6×1, especialmente nos setores de comércio e serviços. Para as empresas, a indefinição sobre qual texto prevalecerá gera incerteza sobre futuras obrigações trabalhistas e custos operacionais. A decisão final pode alterar significativamente a rotina de trabalho e descanso de uma parcela expressiva da força de trabalho nacional, com impactos na produtividade, qualidade de vida e custos empresariais.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/14/calendario-da-pec-6×1-segue-inalterado-diz-motta-apos-envio-de-novo-projeto-pelo-governo.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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