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Gás do Povo atende 15 milhões de famílias

Programa substitui transferência de dinheiro por entrega direta de botijões, garantindo uso específico do benefício social
Mulher recebendo botijão azul do Gás do Povo de entregador em rua residencial programa social subsidio gas
O programa Gás do Povo alcançou quase 15 milhões de famílias brasileiras em abril de 2026, com investimento de R$ 1,5 bilhão do governo federal. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social, 96,1% dos lares atendidos têm mulheres como responsáveis familiares.

O Gás do Povo representa uma mudança importante na forma como o governo ajuda famílias de baixa renda a comprar gás de cozinha. Ao invés de transferir dinheiro (como fazia o antigo Auxílio Gás), o programa entrega diretamente o botijão de 13 kg nas revendas credenciadas. É como se fosse um vale-refeição: em vez de receber o valor em espécie, a família retira o produto diretamente no estabelecimento.

O programa começou de forma gradual em novembro de 2025, atendendo inicialmente 1 milhão de famílias em dez capitais. Em janeiro de 2026, expandiu para todas as 27 capitais do país e incorporou automaticamente as 4,5 milhões de famílias que já recebiam o benefício anterior. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Social, a meta é viabilizar aproximadamente 65 milhões de recargas por ano.

Como funciona a distribuição

A frequência de entrega varia conforme o tamanho da família: lares com duas ou três pessoas recebem quatro botijões por ano (um a cada três meses), enquanto famílias maiores, com quatro ou mais integrantes, recebem seis botijões anuais (um a cada dois meses). Para ter direito ao benefício, a família precisa estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) — o banco de dados do governo que reúne informações sobre famílias de baixa renda — com renda per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo.

A título de comparação, programas de subsídio direto ao gás de cozinha existem em outros países da América Latina, como o Bono GLP no Peru, mas o modelo brasileiro de entrega direta do produto, em vez de transferência monetária, busca garantir que o recurso seja usado especificamente para a compra do gás, evitando desvios de finalidade.

Impacto no orçamento familiar

Com o botijão de 13 kg custando em média R$ 110 a R$ 130 no varejo brasileiro (conforme dados de mercado), o benefício representa uma economia significativa para famílias que vivem com renda mensal de até R$ 706 por pessoa (meio salário mínimo de 2026, que é R$ 1.412). Para uma família de quatro pessoas com renda total de R$ 2.824, receber seis botijões gratuitos ao ano equivale a economizar entre R$ 660 e R$ 780 — cerca de 23% a 28% da renda mensal.

📊 Número do Dia

96,1% , dos lares atendidos pelo Gás do Povo têm mulheres como responsáveis familiares

Por que isso importa

Para as famílias beneficiadas, o programa reduz diretamente o custo de vida, liberando recursos do orçamento doméstico para outras necessidades básicas como alimentação e saúde. Para o governo, a entrega direta do produto busca maior eficiência no gasto público, garantindo que o subsídio chegue ao destino pretendido. O foco em lares chefiados por mulheres reflete a realidade brasileira, onde elas são maioria entre os responsáveis por famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/04/gas-do-povo-quase-15-milhoes-de-lares-atendidos-em-abril.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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